A guisa de prefácio



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Ezechiel retomou a palavra: - este símbolo me remete a uma inscrição suméria que falava de Nibiru e de sua obra realizada na terra. Diga-me, doutor Juliano, o senhor já leu meus livros?

Juliano respondeu afirmativamente: - em que pese uma fraca distribuição de seus livros no Brasil, já os li. Creio que dois ou três deles. Realmente eu fiquei bem impressionado com as suas teorias de um planeta que pertence ao nosso sistema solar e que seria, por assim dizer-se, o criador do ser humano e da vida inteligente na terra. Muito embora tenha sido uma teoria polêmica, pelo que sei, ainda não houve alguém que a tenha desmentido. O que lhe concede um valor bastante alto.

Ezechiel continuou: - deste modo fica mais fácil de conversarmos. Quando comecei a explorar e desenvolver a minha teoria, minha observação se focou principalmente na língua sumeriana. Este idioma é extremamente complexo, pois cada fonema pode ter significações as mais diversas. Na realidade é o contexto que lhe dá o seu real significado. Somente depois de mais de dez anos lutando contra a dificuldade de compreender o significado das palavras e dos fonemas que pude ter condições de avaliar os escritos sumerianos que tive oportunidade de conhecer. Foi neste momento que tive a exata sensação de que eles teriam a sua origem fora do contexto terrestre. A religião sumeriana adotava um processo de avaliação de suas deidades. Sempre com a base sessenta. Porque toda a sua matemática estava assentada nesta base. Assim, seu deus principal – An – recebia o valor sessenta. A partir daí os valores vinham diminuindo em função da importância das deidades. Por outro lado, por assim dizer-se, sua távola de deuses compunha-se de doze personagens. Cujos nomes eram associados a astros de nosso sistema solar. Entretanto, uma destas deidades – Thiamat – havia sido destruída por An. Que a transformou em um chamado Bracelete Brilhante e em nossa Terra. Assim, considerando o número doze, observei que, em nosso sistema, teríamos onze corpos que seriam importantes: o sol, nove planetas e a lua. Faltava um: o décimo segundo corpo. Que nada mais era que o deus supremo – An – ou o décimo segundo planeta. Bem. Mas o que tem a ver tudo isso com o desenho que você me mostra? Tudo. Simplesmente tudo!

Juliano estava exultante: - quer dizer que o senhor sabe a origem deste símbolo?

Ezechiel continuou: - em princípio, não. Mas vamos adiante: quando olhamos para este símbolo, o que nos vem à mente? Exatamente o que você viu: nove corpos separados por um arco semelhante ao ômega grego. Bem. Teoricamente seriam quatro planetas interiores e nove exteriores. E o ômega seria o Cinturão de Asteroides. Com um detalhe que você não percebeu. Este ômega estilizado pode também representar a maternidade, a deusa mãe. Porque esta forma se assemelha muito ao instrumento que as parteiras usavam na antiguidade. Acontece que não temos qualquer referência a isto na história dos sumérios. Pelo menos desta forma como se apresenta em suas fotos e na lasca de madeira. Mas vamos fazer uma extrapolação. Vamos tentar rabiscar este desenho estilizado na forma que um artista da época o teria feito. Assim. Agora nós temos os nove planetas com tamanhos aproximados, a Lua, e a faca da parteira que significa mãe, vida. Ou poderia significar a deusa morta, Thiamat. Eu adicionei a Lua. Não muda muita coisa. Mas, e o arco superior? O que significaria? Em minha opinião, seria An, o deus supremo que estaria acima daquilo que conhecemos como sistema solar. Ou, Nibiru, o décimo segundo planeta. A partir daí, nossa memória começa a se aclarar. E eu vou mostrar-lhes uma coisa que na época não publiquei como gravura de um dos meus livros. Coisas de editores. Aguardem um instante.

Ezechiel levantou-se e foi até um móvel, de onde tirou uma pasta. Juliano e Vilma o seguiram com os olhos, duvidando que ele conseguisse encontrar alguma coisa naquela babel.

Depois de vasculhar algumas pastas, Ezechiel voltou ao sofá. Trazia uns desenhos nas mãos: - vejam. Este desenho é uma parte de um selo sumeriano que representa Enki e Enlil, dois dos deuses principais e filhos de An. Notem: ao lado da cabeça de Enki aparece um sinal. Exatamente semelhante ao que vocês trouxeram. Claro que guardadas as diferenças de qualidade do desenhista. Mas o principal está aqui. A semelhança é gritante entre as duas representações.

Juliano o interrompeu: - mas, doutor Ezechiel. Eu tenho certeza que já vi algo semelhante, mas que não se relaciona com o povo ou deidades da Suméria. Não poderia afirmar, mas eu creio que foi em algum lugar da Turquia, que aparentemente tinha alguma relação com os hititas. Meu problema é que minha lembrança me trai. E eu não consigo lembrar se foi em algum documento ou em alguma escultura ou monumento.

Ezechiel não se abalou: - ora, doutor Juliano. Há um fator que deve ser levado em consideração. Das civilizações já descobertas, sem sombra de dúvida que os sumérios são a mais antiga. Ao menos das já conhecidas. Sua influência nos povos mais recentes é gritante. Porque foi deles que a Assíria e a Babilônia herdaram praticamente todos os seus costumes e religiões, além da escrita cuneiforme originária da Suméria. Que, por sua vez, se espalharam por todo o Oriente Médio ou Crescente Fértil. Não seria de se estranhar que os hititas também participassem embora já tardiamente do inventário cultural e religioso dos sumérios. Se observarmos bem, todas as civilizações tinham o seu círculo de grandes deuses que somavam doze entidades. Até a época grega e sua cópia romana. Se pensarmos na cristandade, iremos encontrar o mesmo número. Jesus e os doze apóstolos que, depois, se transformaram em onze, com a provável e duvidosa morte de Judas. Assim, é bem provável que outras civilizações tenham adotado este símbolo e outros mais, sem saber exatamente o que significavam. Aqui nos Estados Unidos existe uma seita cristã que, ao invés de adotar a cruz cristã como símbolo, adotou a o hieróglifo Ank egípcio. Que nada mais é do que a representação hieroglífica de vida e/ou eternidade. Que, diga-se de passagem, nunca foi considerada pelos seguidores dos faraós como uma cruz ou crucifixo.

Juliano e Vilma estavam embevecidos com o conhecimento do velho pesquisador. Juliano aproveitou para fazer uma pergunta: - doutor Ezechiel, onde eu encontraria um conhecedor da cultura hitita aqui em New York?

Ezechiel deu-lhe um caminho: - na Universidade de New York vocês encontrarão talvez a maior autoridade mundial em cultura hitita. É o Professor Athanasius Deodorakis. Ele é um grego criado aqui que já gastou mais de trinta anos em pesquisas a respeito daquele povo.

Juliano perguntou: - seria difícil um contato com ele?

E Ezechiel respondeu: - não. Nada complicado. Eu vou telefonar para ele agora e vou indicar-lhes. Levantou-se e tomando de um telefone discou para o professor. Depois se voltou para Juliano e Vilma, falando em um português arrevesado: - o professor deverá viajar amanhã, mas disse-me que na segunda-feira estará na universidade e, pela manhã, terá o maior prazer em recebê-los.

Ainda ficaram conversando bastante tempo, com Juliano dando-lhe uma visão do seu trabalho na ONG e comentando o acontecido com o ônibus no Brasil. Quando Vilma mencionou que eles tinham a suspeita de que pudesse ter sido um rapto alienígena, Ezechiel deu um sorriso e respondeu: - ao longo de toda a história humana o desaparecimento de pessoas sempre foi constante. Até mesmo se consultarmos com clareza o Livro dos Mortos egípcio, veremos claramente que o faraó, realizando a sua viagem, nada mais era que a preparação para o embarque em uma nave espacial em direção ao espaço cósmico. Na cultura sumeriana era fato quase corriqueiro que humanos viajassem para Nibiru com naves espaciais. A história está repleta de fatos desta natureza. Até mesmo na Bíblia os encontramos. Basta lermos com prudência e sem pragmatismos o Velho Testamento. Este seu trabalho é importante a partir do momento em que levanta um véu que a arqueologia tradicional tem medo de levantar. E eu creio que você, em dado momento, vai encontrar algo de surpreendente. Eu vou lhe dar uma indicação: procure levantar a cultura e a religião de um povo africano: os dogons. E você verá que há muito que pesquisar, pois eles se dizem vindos de um planeta que circunda Sírius, além de falarem a respeito de satélites de Júpiter, entre outras coisas. Com uma particularidade impressionante: eles sempre representaram Sírius como uma estrela dupla. E isto desde que foram descobertos por religiosos ingleses no século dezenove. A astronomia, há cerca de quarenta anos, descobriu que os dogons tinham razão. A pesquisa astronômica nos mostrou a duplicidade de Sírius. Se eu não estivesse já tão velho e cansado, com certeza dedicaria mais uns anos a conhecer em profundidade esta tribo perdida no sul do deserto do Saara.

Neste tom a conversa se desenrolou até que a funcionária os chamasse para almoçarem.

KLONIX – CAPÍTULO 21

Quando Padilha e Marreta chegaram ao prédio de Cardoso, perguntaram a um vizinho se tinha visto o perito. O morador respondeu que não. Que desde o dia anterior não o tinha visto. Padilha resolveu subir a bater à porta do apartamento. Quando chegou ao andar, notou que a porta do apartamento estava entreaberta. Antes de entrar, tocou duas vezes a campainha. Como não obteve resposta, sacou da arma e entrou com cautela, acompanhado de Marreta. Passou pela sala, foi até o gabinete, que encontrou em ordem e seguiu até o quarto do perito. Lá encontrou a cama desfeita. Tocando no travesseiro, notou que estava frio. O que denotava que o perito havia abandonado o leito há algum tempo. Foi até o banheiro que também encontrou em ordem. Seu faro policial o induziu a observar a escova de dente. Estava seca. Para ele significava que não havia sido usada pela manhã. Ou seja: Cardoso ou não dormira em casa, ou havia saído pela madrugada, ou não escovara os dentes. Retornou ao gabinete onde estivera na noite anterior. Procurou no lugar onde vira o perito guardar as cópias dos DVDs, mas nada encontrou; ou o perito havia levado os discos com ele ou haviam sido subtraídos. Como encontrou a porta do imóvel semiaberta, deduziu que tinha havido um roubo no local. Falou a Marreta que não tocasse em nada, pois iria chamar a perícia para uma vistoria. Antes, ligou o micro. Aguardou uns instantes, mas nada aconteceu. Conferiu as ligações e constatou que estavam em ordem. Novamente tentou ligar o aparelho. E o mesmo não respondeu. Pegando o celular, Padilha entrou em contato com a delegacia e solicitou que uma equipe da perícia viesse até a casa de Cardoso. E que fosse urgente. Ao que tudo indicava, o perito havia sido vítima de um roubo. Com o agravante de que havia desaparecido e não deixara qualquer dado a respeito de seu paradeiro. Padilha sabia que Cardoso não era de aventuras amorosas. E se tivesse algum caso com alguém, com certeza a traria para a sua casa. Assim, deduziu que o perito poderia ter sido vítima de um roubo seguido de... Um sequestro? Seria uma possibilidade. Seus anos de polícia haviam lhe ensinado que um policial é um alvo da bandidagem. E que tudo fazem para matar o maior número de policiais que puder. Muito embora e na maior parte das vezes, se torne uma missão difícil.

Enquanto aguardava a chegada da perícia, Padilha novamente foi até o quarto. Notara na visita anterior um cheiro fraco, mas persistente. Era um aroma semelhante à amônia. Observou com bastante cuidado cada detalhe do lugar e notou, em um dos cantos da parede, que havia um sinal estranho. Era apenas um círculo desenhado com cerca de cinco centímetros de diâmetro, de cor pardacenta. Ao se aproximar daquela marca, o cheiro de amônia aumentou. Prudentemente saiu do aposento e foi se juntar a Marreta na sala.

Ali, deu uma observada maior no local. Verificou que o chaveiro estava pelo lado de dentro da porta. Um indício de que, em caso de sequestro, poderia demonstrar a inabilidade dos sequestradores. Outro fato que lhe chamou a atenção foi que, em nenhum lugar notou sinais de luta.

Novamente iniciou outra busca no apartamento. Foi para o gabinete de Cardoso e passou a abrir as gavetas e verificar seu conteúdo. Sua intenção era localizar o DVD com as gravações de necrotério e principalmente, achar o CD com o trabalho realizado pelo perito. Sua busca resultou infrutífera. Por mais que tenha se esmerado em procurar as duas gravações, nada conseguiu. Enquanto procurava, relembrou das palavras de Juliano. Sim. Isto mesmo. Havia algo estranho e incompreensível em tudo aquilo. Desde o desaparecimento dos passageiros do ônibus. O somatório de fatos começava a preocupar o experiente policial. Ele repassou em sua memória os fatos que, de alguma forma, estavam relacionados com o ocorrido com aquelas pessoas em uma estrada secundária em Piraí. A conversa com o historiador, o roubo do cadáver do suposto motorista, o sumiço do legista e seu corpo aparecendo em uma cidade perdida nos Andes peruanos, as gravações truncadas da câmera da portaria do necrotério, as imagens mostradas por Cardoso na noite anterior e, finalmente, o sumiço do perito. O que mais viria? Não. Não se deixaria tomar pelo medo. Mas que começava a se preocupar seriamente, ah, isto era verdade. Poderia ser até uma conjunção ocasional de fatos, mas já era coincidência demais. Alguma coisa havia de esdrúxulo em tudo aquilo.

Desistiu de sua busca e sentou-se com Marreta na sala para aguardar o pessoal da perícia.

KLONIX – CAPÍTULO 22

Juliano e Vilma saíram da casa de Ezechiel por volta das quatro horas de uma tarde fria e cinzenta. O pesquisador chamara um táxi e neste, de mãos dadas, Juliano e Vilma conversavam.

Vilma foi quem abriu a conversa: - sabe Juliano. Eu acho que o tempo é um covarde. Ezechiel deve estar com cerca de oitenta anos. Ou seja: já se aproxima do fim da vida. E eu acho que homens como ele deveriam viver muito mais. Eu fiquei deveras impressionada com o conhecimento e a cultura dele.

Juliano concordou: - você tem razão, Vilma. Ezechiel seria uma destas pessoas que não deveriam morrer. Pelo seu trabalho e por sua pesquisa, ele já está eternizado. Mas nós temos um costume. As grandes cabeças da humanidade são esquecidas muito rapidamente. E o que é pior: na maior parte das vezes elas não deixam herdeiros.

Vilma respondeu: - isto é verdade. Bem, quais serão os nossos próximos passos?

Juliano estava animado: - como estamos na quarta-feira e somente na segunda iremos encontrar o professor Athanasius, vamos aproveitar o tempo para visitar todos os museus nova-iorquinos. Que tal o programa?

Vilma se mostrou animada: - bem. Estando juntos, todos os programas são bons. E eu tenho ganas de conhecer de fato o que existe guardado nestes museus.

Juliano, então, propôs: - ao chegar ao hotel, vamos pegar um guia e estabelecer o nosso roteiro pelos museus da cidade. Ah, e também em New Jersey. Porém vamos ficar atentos a tudo que se aparente ao menos com o nosso símbolo.

KLONIX – CAPÍTULO 23

O corpo encontrado não tinha nenhuma identificação a não ser um jaleco com o emblema de um necrotério no Brasil. Quando as autoridades brasileiras em Lima foram informadas desta possibilidade, imediatamente foi enviado à La Oroya um funcionário para a tomada de informações que pudessem ser enviadas ao Brasil para a identificação do defunto.

Quando o funcionário chegou à cidade andina, dirigiu-se diretamente à administração municipal, tendo sido recebido por um assessor do administrador local. Ambos saíram quase que de imediato em direção ao hospital onde o corpo já havia sido autopsiado. No laudo feito pelo médico não foi determinada a causamortis, o que veio a complicar ainda mais o caso. Em conversa com o médico, o funcionário brasileiro soube que não havia meio e modo para determinar o que causara o óbito. Aparentemente, do ponto de vista médico, o morto apresentava uma excelente saúde, sem qualquer vestígio de doenças ou de algo que pudesse determinar como havia falecido. Além disso, um fato que surpreendeu o médico foi que, considerada a rigidez cadavérica, a morte poderia ter acontecido há cinco ou seis dias. Mas não encontrara nenhuma deterioração no corpo. Isto era no mínimo estranho, pois já deveria estar exalando os odores característicos. Disse mais o médico: que todos os órgãos internos estavam em perfeitas condições. O sangue não havia coagulado, mas apresentava-se como se toda a umidade tivesse sido tirada. Havia se transformado em uma massa vermelha, seca e endurecida. Talvez esta pudesse ter sido a causa da morte, mas ele não conhecia produto que conseguisse este resultado. O funcionário buscou informações de como o corpo poderia ser trasladado para Lima e depois para o Brasil. Um dos administradores da cidade disse que seria necessário, antes de tudo, algum dado que informasse primeiro, que o corpo era de um brasileiro. Segundo, as autoridades brasileiras deveriam depois de identificado o corpo, fazer uma solicitação ao governo peruano, no sentido de permitir o traslado e, terceiro, providenciar todo o transporte até o Brasil. O funcionário, anotando todos os informes em um bloco e os parcos dados referentes ao jaleco que vestia o cadáver, partiu de La Oroya, voltando para Lima a fim de conseguir o que era pedido. A primeira providência seria um contato com o governo brasileiro para que este providenciasse a identificação de um morto que sequer saberia quem era. Por outro lado, estava certo de que uma operação desta natureza deveria levar dias. Ou semanas...

KLONIX – CAPÍTULO 24

Quando o pessoal da perícia chegou ao apartamento de Cardoso, encontrou um delegado Padilha extremamente preocupado. Durante o tempo em que esperou os técnicos, Padilha rememorava todos os fatos relacionados com o caso do ônibus. E viu que o problema era maior do que podia imaginar, pois estavam lidando com fenômenos que fugiam do cotidiano. Marcas, raptos, roubos, cadáveres distantes, sequestros, poderes desconhecidos que desligavam equipamentos. O mistério era absoluto. Esta sucessão de fatos o incomodava e lhe dava a sensação de impotência frente a todos estes casos. Quando voltasse à delegacia, iria contatar o delegado responsável pelo inquérito que cuidava do problema relativo às pessoas do ônibus desaparecido. Teria de ir a Piraí, mas faria esta viagem. Sentiu que precisava saber mais. Muito embora soubesse que, em dados casos, melhor é não saber muito. Mas, diacho! A curiosidade o impulsionava e ele iria satisfazê-la.

O trabalho realizado pelos peritos resultou em nada. Afora a estranha marca deixada no quarto, nada mais pôde ser levantado. Padilha se incumbiu de ir até a delegacia do bairro e avisar ao pessoal que Cardoso havia desaparecido. Talvez com o trabalho de alcaguetes alguma coisa pudesse ser levantada. Padilha comunicou ao pessoal da perícia que levaria com ele o computador de Cardoso para uma investigação mais aprofundada.

Padilha agora ansiava pela chegada de Juliano. Ele era a única pessoa com quem teria a coragem de se abrir. Vira no estudioso uma pessoa franca, simples e honesta. E que lhe havia posicionado de forma clara uma hipótese que, embora aparentemente sem sentido, poderia explicar muito daquele caso. Sem contar que estava ansioso para conversar com Juliano a sequencia de fatos que testemunhara. O tempo, entretanto, era o seu maior inimigo. Juliano estava fora do país e Padilha não tinha certeza de quando voltaria.

KLONIX – CAPÍTULO 25

Quando Juliano e Vilma entraram na Universidade de New York, tiveram a sua primeira impressão de que o estabelecimento não era tão importante como tanto se falava. O edifício principal estava praticamente deserto. Chegaram a um balcão de recepção, onde uma moça os atendeu sem grande interesse. Perguntaram pelo Professor Athanasius e ela se limitou a dizer que seria encontrado em outro prédio, indicando a direção. Quando Vilma perguntou-lhe porque a universidade estava tão vazia, a moça fez um muxoxo e apenas falou que era feriado na universidade.

Juliano e Vilma atravessaram um jardim e encontraram o edifício onde se localizava a área de história. Ao entrar, a surpresa foi grande. Os corredores e o hall do edifício eram praticamente um museu. Perguntaram a um funcionário onde poderiam encontrar o professor e este lhes indicou o segundo andar à direita. Subiram uma escada e, em uma porta, viram um letreiro já desgastado que informava que lá era o departamento de arqueologia. Bateram à porta e um senhor os atendeu.

Era o professor Athanasius. Um senhor que aparentava cerca de setenta e cinco para oitenta anos, baixinho, com as roupas em desalinho, cabelos compridos e óculos que denunciavam uma miopia em alto grau. O professor convidou-os a entrar e, depois dos cumprimentos, deu seu primeiro sorriso. Sentaram ao redor de uma mesa redonda atulhada de pastas e papéis e iniciaram um diálogo.

Foi Juliano quem iniciou a conversa: - somos gratos por nos receber. O doutor Ezechiel nos recomendou ao senhor.

Athanasius continuou sorrindo: - ora. O Ezechiel. Aquele velho rabugento. É um grande estudioso da civilização suméria. Talvez uma das maiores autoridades no assunto. Mas aquela sua teoria! Completamente louca, mas com um sentido impressionante. Depois de ler os seus livros, acabei por concordar com ele em muitos aspectos.

Juliano sorriu ante a colocação do velho professor: - é. As teorias dele são extremamente polêmicas. Mas, por outro lado, ainda não apareceu ninguém para desdizer o que ele escreveu. Ao que tudo indica, até o momento, ao menos.

Athanasius concordou: - olhe senhor... Ah, Juliano. Olhe doutor Juliano. Ou ele está com a razão e nada pode ser feito contra as suas teorias, ou é considerado tão louco que ninguém se preocupa em polemizá-la. E deu uma risada. Mas vamos ao que interessa. Segundo ele, o senhor veio de longe para tentar localizar um símbolo. Onde está este símbolo?

Juliano abriu a pasta que trazia consigo e tirou as fotografias que trazia. O professor Athanasius as olhou longamente. Ele dava a impressão de que estava tentando lembrar onde poderia ter visto aquilo. De repente, levantou-se e foi até uma estante, de onde trouxe um livro. Sentou-se e folheou-o. Era um livro bastante antigo e repleto de gravuras.

Parou em uma determinada folha: - veja: ao que tudo indica, há uma forte semelhança entre os desenhos. Um arco, quatro bolas e dentro de outro arco, cinco bolas de tamanhos diferentes. Este desenho foi reproduzido de uma inscrição hitita que falava a respeito do poder dos deuses. A estela completa hoje se encontra no Museu de Amsterdam, na Holanda. A semelhança é impressionante. Diga-me, senhor Juliano, onde o senhor encontrou este sinal?

Juliano ficou sem resposta por uns momentos e foi Vilma quem respondeu: - bem, professor. Para que possa entender a origem deste símbolo, será necessário que o senhor conheça a história que envolve esta inscrição. Talvez o senhor não venha a acreditar nela. Mas o que lhe vai ser contado reflete a realidade de um fato insólito acontecido no Brasil.

E Vilma passou a relatar todo o ocorrido com o ônibus finalizando a narrativa com a descrição do encontro de Juliano com o colono, o que este lhe contara e, finalmente, como o símbolo foi encontrado, fotografado e, depois, tirado da árvore. Durante todo o tempo Athanasius ouviu com toda a atenção, sem fazer qualquer pergunta. Quando Vilma encerrou a sua interferência, Athanasius foi novamente até a estante e trouxe outro livro, este escrito em grego.

Sentou-se e disse: - o que vocês estão me contando não é loucura ou fantasia. Eu creio que devo contar-lhes um pouco da minha vida. Vocês entendem o grego? Não? Que pena! O grego deveria ser a linguagem universal. Bem. Vamos lá. Eu nasci em uma pequena aldeia no Peloponeso. Quando estava com seis para sete anos, eu fui com meu pai a uma pequena fazenda de um parente que cultivava olivas. Quando lá chegamos, observamos que ninguém estava por ali. Seguimos então até a plantação, na tentativa de achar o nosso parente ou algum empregado. Nada. Meu pai ficou preocupado, pois aquele seu parente raramente abandonava a sua atividade. Voltamos até a casa e entramos. Nada encontramos. Até uma panela estava no fogo com alguma comida. Olhamos a casa inteira e novamente, nada! Ninguém. Resolvemos sentar no lado de fora da casa e esperar. E ali ficamos cerca de duas horas. Todo o lugar estava deserto. Não se via uma pessoa sequer. Depois de aguardarmos um bom tempo, fomos embora. Mas meu pai estava preocupado. Deixou-me em casa e foi até a vila. Pelo que soube depois, ele perguntou a todo o mundo pelo parente. E ninguém soube dar uma informação. Aliás, a única informação que puderam dar era a de que o tal parente já não aparecia há alguns dias. Isto era comum a ele. Por vezes passava duas, três semanas sem ir até a aldeia. Ele era um tanto rabugento. Para encurtar a história: nós nunca mais sequer ouvimos falar dele. Ele simplesmente havia desaparecido com a mulher e dois empregados. Eu cresci, fui para Atenas para estudar e, depois da morte de meus pais, acabei indo morar em Istambul, onde cursei história e me especializei em arqueologia hitita. Quando estava já perto dos cinquenta anos, recebi o convite desta universidade, onde estou já há cerca de trinta anos. Ora. Vocês me falarem de desaparecimento de um ônibus com pessoas dentro, para mim já não seria novidade. Só que, quando o meu parente desapareceu, não encontrei nenhum sinal. Também, pudera! Eu não procurei...




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