A guisa de prefácio



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O delegado estava exasperado: - ora, eu vejo dois homens entrando na portaria do necrotério.

O perito pediu ao delegado que se aproximasse da tela da televisão: - há uma conformação num destes homens que me chamou a atenção. Tanto que eu passei este vídeo para o computador e me detive nesta observação. O senhor não está notando porque não sabe exatamente o que procurar. Mas eu vou lhe mostrar. Não aqui na televisão, mas no meu micro.

Foi até a mesa e ligou o computador. Pesquisou alguns arquivos e por fim encontrou o que procurava: - isto mesmo! Bem doutor, como lhe falei, sou um adorador da informática. Através dela podemos conquistar um espaço que é inimaginável. Deixe que eu lhe explique o que fiz. Quando notei algumas diferenças naqueles homens, o que me intrigou, resolvi apelar para a informática. E não errei. O que o senhor vai ver agora, se quiser colocar no inquérito, não restam dúvidas que eu lhe fornecerei todos os elementos. Muito embora eu duvide que o senhor tenha coragem para tanto. Porque o que o senhor vai ver é inacreditável. Vamos em frente. O que eu fiz? Eu separei quadros do filme. Depois disto, fui aumentando as imagens até achar algo que me interessasse. Bem. O senhor está vendo este quadro. É justamente o congelamento da imagem do filme. Agora eu vou ampliar esta imagem. Assim... Mais um pouco... Mais ainda... Agora! O que o senhor vê de diferente?

O delegado Padilha estava atônito:- Cardoso! Eu estou vendo uma das mãos de um dos homens! E esta mão não tem conformação humana! O que você está me mostrando? Não. Não pode ser! Você fez alguma sacanagem! Esta mão é... É... É estranha. Parece uma garra. Meu deus! Será que aquele pesquisador estaria certo?

Cardoso perguntou-lhe: - que pesquisador, delegado?

Padilha respondeu: - no mesmo dia em que o cadáver desapareceu, um casal esteve no necrotério e conversou com o Demóstenes, diretor do necrotério. Este, já preocupado com a repercussão do roubo do cadáver, acabou chamando dois policiais que trouxeram o casal até a delegacia. Claro que eles nada tinham a ver com o roubo do presunto. Eu chequei as informações e eles são pessoas sérias. Ela é professora de história e ele trabalha para uma ONG americana que trabalha com pesquisas históricas. Em nossa conversa, que não chegou a ser um depoimento, ele deu a entender que este roubo teria um viés um tanto fora de parâmetros normais. Disse-me ele que não estranharia se este roubo tivesse algum liame com indivíduos, bem, de fora da terra. A princípio eu não quis acreditar. Eu sou meio cético em relação a estes assuntos. Agora, vendo esta imagem, começo a entender que o tal sujeito tinha razão. Há muita coisa estranha neste caso. Que está diretamente ligado ao caso do desaparecimento misterioso dos tais passageiros do ônibus na Rodovia Presidente Dutra. Você deve lembrar-se do caso. Caramba! Se isto for verdade, vai ser uma encrenca colocar estas hipóteses em um inquérito.

Cardoso o interrompeu: - e, doutor, onde está este casal?

O delegado respondeu: - segundo eles e o diretor da ONG, devem estar nos Estados Unidos. Espere aí. Eu tenho o telefone celular dele. Quando chegar à delegacia, vou ligar para ele e tentarei saber quando estará voltando. Agora é um caso sério. Só imagino o furdunço que este caso vai dar. Aposto minha mão esquerda como vai parar na Força Aérea. Ou na federal.

Cardoso voltou ao micro: - como eu vi a diferenciação desta mão, fui para a Internet pesquisar alguma coisa a respeito. E o que eu vi me deu um calafrio. Veja! Estas imagens eu baixei de um site de ufologia. A mão que aparece nesta imagem, supostamente de um ET, é idêntica á mão que encontrei no filme.

O doutor Padilha comentou com o perito: - para mim é o bastante. Agora, Cardoso, me diga como eu vou colocar isto no inquérito do roubo do presunto? Eu não tenho esta coragem. Se eu puser este achado no processo, com certeza vou ser a piada do mês. Ou do ano. Ou para o resto da vida. Imagine a manchete no jornal: o delegado Padilha finda o inquérito e alega que o roubo do cadáver no necrotério foi obra de alienígenas. Mas, nem pensar...

O perito não deixou de rir da colocação do policial: - desculpe-me, doutor. Mas seria impensável. Confesso doutor, que eu também estou começando a acreditar que estes malucos que vivem falando de ETs, vidas em outros planetas, discos voadores e coisas do gênero não são tão loucos assim. Depois desta experiência, que não tenho coragem para divulgar, vejo estes caras com mais seriedade. Eu tenho pesquisado um bocado para conhecer mais a fundo o assunto. E o que eu li a respeito, até agora, me deu a impressão de que há um fundo de verdade nisto tudo. Ainda mais depois de ter encontrado este indício.

Padilha encerrou o encontro com uma pergunta: - você já mostrou este seu trabalho para alguém?

O perito negou: - não. Com certeza, não! Cadê a coragem para isto? Por quê?

O policial explicou:- bem, Cardoso. O que estamos vendo já não é um caso policial. Está mais para a Força Aérea ou coisa que o valha. Vamos combinar uma coisa: vamos esperar que aquele historiador volte e vamos mostrar a ele o que vimos neste filme. Pode ser que ele possa nos dar mais alguma informação. Para você, está bom assim?

O técnico assentiu. E Padilha, se despedindo, saiu. Rumou para a sua casa, pensativo e não querendo acreditar no que soubera e vira. Nem reparara que um automóvel com dois indivíduos nele estava estacionado nas proximidades do edifico onde Cardoso morava.

KLONIX – CAPÍTULO 15

Juliano e Vilma entraram no simpático hotel da Rua 42. Na recepção, depois de se identificarem, receberam as chaves de um apartamento no terceiro andar. Lá chegando observaram que era um apartamento, embora confortável, simples e aconchegante. Uma grande cama de casal os surpreendeu.

E foi Juliano quem comentou: - eu creio que Robert cometeu um engano. Acho que, depois de ter sido solicitado por Avelar a respeito de reservas de hotel, acreditou que eu estava viajando com minha mulher. E, bem, reservou somente este apartamento. Espere um instante que vou descer à recepção e conseguir outro para mim ou para você.

Vilma o interrompeu: - ora, Juliano. Você já esqueceu que dormimos juntos quando estudantes? Qual o problema de dormirmos juntos novamente?

Juliano estava sem muito que falar: - mas, Vilma, é que... Você sabe... Nós não somos bem... Namorados. E dormirmos juntos...

Vilma achegou-se a ele: - pelo que pude perceber você está sozinho atualmente. E eu também. Assim, qual o problema de dormirmos juntos? Para mim, eu não vejo nada de anormal ou monstruoso. Aliás, devo dizer que você, que você deixou um pouco de saudade. Logo...

Juliano assentiu: - tudo bem, eu certa vez aprendi que por vezes deixamos passar situações que nos poderiam ser maravilhosas, por não termos sabido trabalhá-las. E não vou negar também que você é importante para mim. E aproximando-se de Vilma, abraçou-a e beijou os seus lábios. Um beijo que foi bem retribuído.

Depois de deixarem a bagagem no apartamento, resolveram sair e dar uma volta pela cidade, apesar da chuva que se recusava em dar uma trégua. Ambos já haviam estado em New York. E foi Vilma quem sugeriu que fossem a um café que ela conhecera na Rua 52. Entraram pela Sexta Avenida e logo chegavam ao café mencionado por ela. Andavam de mãos dadas, como dois adolescentes. Ambos aguardando a noite que, ao que tudo indicava, seria inesquecível.

KLONIX – CAPÍTULO 16

Em La Oroya, nos Andes peruanos, ainda era manhã. O sol se recusara a aparecer. O céu nublado prenunciava um dia cinza. As raras pessoas que cruzavam as ruas sequer tomaram conhecimento do furgão estacionado em uma esquina a cerca de cem metros do posto policial. A cidade despertava para mais um dia. Um dia que seria tumultuado para alguns de seus habitantes.

Foi Jorge, um comerciante local quem estranhou aquele veículo parado. Curioso, foi até a porta do motorista e deu uma olhada para dentro. Ele viu as chaves no contato e no fundo do furgão um pacote enorme, feito de lona e fortemente amarrado com fita adesiva. A princípio aquilo não lhe causou nenhuma impressão. Como sua loja ficava fronteiriça ao local onde estava o veículo, resolveu observar quem apareceria para retomar a caminhonete.

Por volta das nove horas da manhã o veículo ainda permanecia no local. E Jorge resolveu contatar a polícia local. Saiu da loja e dirigiu-se ao plantão policial, em busca de um conhecido seu que, àquelas horas, já deveria ter entrado em serviço. Encontrando-o, comunicou-lhe o fato.

A polícia de La Oroya foi ao local e estabeleceu a hipótese de que aquele pacote poderia esconder um corpo. Um dos policiais assumiu o volante do furgão e, dando a partida, conduziu-o ao pátio do prédio da polícia. Quando lá chegou, com outros policiais abriu a porta traseira do furgão e observou melhor o que havia. Realmente era um corpo que estava empacotado naquela lona forte. Imediatamente chamou o chefe do policiamento para que este determinasse as providencias a serem tomadas.

O corpo embrulhado foi para o pequeno hospital local, em uma área que a polícia usava para realizar necropsias. Que eram raríssimas naquela região andina. Um médico foi chamado às pressas e se incumbiu de abrir o embrulho e ver o que havia em seu interior.

Um corpo havia sido encontrado. Embora denotasse ter morrido já há algum tempo, não apresentava os odores fétidos que seriam normais. O cadáver estava vestido com um jaleco branco e calças cinza. No avental havia uma inscrição azul em uma língua estrangeira, semelhante ao espanhol. Nada foi encontrado em seus bolsos. Pelo que o médico pode constatar através da observação da rigidez cadavérica, aquele homem havia sido morto há cerca de três dias. Examinou mais de perto o defunto, mas não encontrou sinais de ferimentos que pudessem ter causado o seu óbito. Somente depois de uma autópsia que poderia dizer o que motivara aquele falecimento. Com a permissão do chefe de polícia, o médico preparou-se para realizar a autópsia no corpo encontrado.

A notícia a respeito do corpo encontrado logo se espalhou. Nos principais jornais, as fotos do corpo ainda coberto pela lona e da inscrição encontrada ocuparam as primeiras páginas. Um brasileiro que viajava pela região, vendo as páginas dos jornais, identificou aquela inscrição como sendo de um necrotério brasileiro. As autoridades diplomáticas brasileiras no Peru foram acionadas e aos poucos se sabia a respeito daquele corpo, que poderia ser de um médico legista que estava desaparecido há cerca de uma semana.

KLONIX – CAPÍTULO 17

Cardoso se preparava para dormir. Depois que o delegado saíra, ele havia desligado os aparelhos e fora até a cozinha para preparar um lanche. Depois que acontecera a sua separação, ele havia alugado aquele apartamento para onde se mudara há dois anos. Preparou um sanduíche de queijo e despejou leite em um copo. Depois, sentou-se na sala e ligou a televisão para ver algumas notícias. Como nota de pé de página, o repórter falou rapidamente a respeito do provável corpo de um médico legista encontrado em uma cidade andina. E Cardoso, ao ouvir a notícia, deu um pulo do sofá e correu para o telefone. Na outra ponta da linha, um delegado Padilha sonolento atendeu. E que, sabendo da notícia, acordou definitivamente.

Padilha quase gritou no telefone: - “cuméquié,” Cardoso? Que negócio é este? O legista foi encontrado morto numa cidade peruana, no alto dos Andes? Espere um pouco. Sim, eu sei. Ele andava desaparecido há alguns dias. Nem a família sabia dele. E o que mais? Só isto? É. Eu sei. O estranho é ter ido parar lá naquela lonjura. Não. Não estou entendendo nada. Olhe Cardoso. Eu estou começando a acreditar que fantasmas existem. Depois que você me mostrou aquelas cenas, eu não duvido de mais nada. Não. Fique tranquilo. Procure-me amanhã na delegacia. É. É sim. Eu devo estar por lá por volta das nove, nove e meia. Não. Eu acho que não. Não deixe de me contatar. Até amanhã.

Cardoso desligou o telefone e correu para o computador. Ligou-o e, entrando na Internet, procurou mais notícias a respeito da morte do legista. Já àquela hora, alguns sites já haviam publicado as mais novas notícias a respeito. Foi até um site noticioso do Peru e conseguiu vários informes a respeito. Na cidade onde o corpo fora encontrado, e sem identificação, ninguém soube explicar como chegou até lá. Apenas que fora deixado no fundo de um furgão velho e já sem cadastro no deficiente registro de veículos do interior peruano.

Depois de navegar cerca de uma hora atrás das notícias, sentiu sono. Desligou o micro e se preparou para deitar.

Já estava deitado e quase adormecido quando viu uma luz esverdeada começar a surgir em um dos cantos do aposento. Depois disto, nada mais conseguiu fazer. Estava preso em uma redoma de luz que, agora, ocupava todo o espaço do quarto.

KLONIX – CAPÍTULO 18

Depois da noite que lhes revelou a ânsia guardada por anos, Juliano e Vilma acordaram quase ao mesmo tempo. Olhando o relógio, Juliano viu que faltavam poucos minutos para as nove horas. Levantou-se, correu para o banheiro e tomou uma ducha quente. Logo após, Vilma repetiu-lhe o ato. Olhando pela janela, viram que o tempo havia clareado. Não com um sol brilhante, mas ao menos a chuva havia passado. Depois de se vestirem, desceram e saíram para a rua. Tomaram um café rápido em um coffee-shop na esquina e durante este, traçaram um plano de trabalho para o dia. O contato com o pesquisador ficaria para a tarde, já que, dada a sua idade, provavelmente não deveria ainda ter acordado. Decidiram dar uma volta pelas ruas da cidade e, ao meio dia, almoçar em algum lugar no Central Park ou nas imediações, onde também dariam uma entrada no Museu. Dali eles telefonariam para o escritor e marcariam a entrevista.

Foram caminhando a passos lentos rumo norte pela Quinta Avenida, olhando as vitrines, e se deliciando com o burburinho daquela cidade que é considerada a capital do mundo.

Vilma comentou com Juliano: - eu jamais moraria nesta cidade. Eu gosto de vir aqui, mas assim: passar uns dias, dar uma olhada em tudo, fazer uma ou outra comprinha e, depois, fugir daqui e voltar para o meu ninho. New York não é, realmente, a cidade dos meus sonhos.

E Juliano concordou: - você tem razão. Eu me sinto meio que oprimido neste tumulto. Também não conseguiria viver muito tempo aqui. Bem a propósito: esta entrevista com o tal pesquisador deverá ser bastante objetiva. Pelo que fiquei sabendo, ele não gosta muito de ser incomodado. É um mal que assola os famosos.

Vilma, no entanto, respondeu: - pois olhe. Eu creio que se você fizer as colocações certas, com certeza ele vai abrir um baú de informações. Se, de um lado, estes famosos são esquivos, de outro lado gostam de mostrar as suas teorias e erudição. E eu estarei ao seu lado, não esqueça! Ah, como vamos nos apresentar para este tão famoso escritor e pesquisador?

Juliano deu um sorriso: - que tal marido e mulher?

Vilma riu com ele: - é. Até que soa bem. Marido e mulher. Taí. Gostei... E eu espero que esta farsa vire verdade.

Juliano estava feliz: - pois eu também, professora. Já imaginou o seu sacrifício? Ter de viajar pelo mundo acompanhando o marido em suas loucuras?

E Vilma respondeu: - como é? Viajar pelo mundo? Acompanhar loucuras maritais? Mas é claro que eu aceito o pedido de casamento. Só assim vou estar perto e você não vai cair na tentação de se enrabichar por alguma berbere em algum deserto distante. Claro que eu vou!

Eles seguiram o plano traçado e acabaram a manhã fazendo um lanche em um fast-food de comida chinesa. Depois, Juliano entrou em um telefone público e discou para o pesquisador. Este o atendeu bastante bem humorado e marcaram a visita para o outro dia pela manhã. Quando Juliano desligou, estava eufórico. Voltou-se para Vilma e disse-lhe que o homem, pelo sinal, não era tão antipático como haviam imaginado.

KLONIX – CAPÍTULO 19

Por volta das nove e meia, o doutor Padilha adentrou a delegacia. Sentou-se à sua escrivaninha e começou os trabalhos do dia. A noite tinha sido calma; assim, não havia muito que fazer. Lembrou-se de Cardoso e dos fatos que havia testemunhado através do diligente trabalho do perito. E a lembrança daquilo tudo o arrepiou. E tudo fora tão incrível que tinha medo de aceitar a hipótese de que o perito estivesse certo. Mas o que ele havia descoberto não saía de sua mente. Principalmente depois de analisar o que vira e não ter encontrado um ponto sequer que pudesse contradizer o que Cardoso havia lhe mostrado.

Foi pensando nele que se lembrou de que o perito havia dito que iria á delegacia logo pela manhã. Levantou-se e foi até ao balcão na entrada. Perguntou ao um detetive se o perito o havia procurado. Recebendo a negativa, voltou para a sua sala e iniciou o seu trabalho, dando uma olhada nos inquéritos que se acumulavam no canto esquerdo de sua mesa.

O inquérito a respeito do desaparecimento do legista ocupava a pilha. Padilha procurou-o e iniciou a leitura do mesmo. Pouco ou nada havia. Apenas que o legista havia desaparecido por alguns dias. Os familiares que foram contatados disseram que estavam preocupados, pois já fazia quatro dias que o legista desaparecera. Também a direção do necrotério comunicara que o legista estava desaparecido, o que não era normal, pois o mesmo era profundamente dedicado ao seu trabalho. Até aquele momento, não havia sido comunicado oficialmente a respeito do aparecimento do corpo em uma cidade perdida nos Andes peruanos. Colocou o inquérito no topo da pilha. Os restantes poderiam esperar. Pegou o telefone e discou um número. Aguardou que o mesmo chamasse diversas vezes. Depois o desligou. Com certeza Cardoso já não mais estava em casa. Depois se lembrou do celular. Pegando o seu, procurou na agenda o número do perito e tentou a ligação. Recebeu a mensagem de que o aparelho estava desligado ou fora da área de cobertura. Fechou o seu celular e disse para si mesmo que aguardaria Cardoso até a hora do almoço. Depois, lembrou-se de ligar para a perícia da polícia. Tentou novamente e de lá disseram que o perito ainda não havia entrado em serviço e que estava já atrasado. Desligando o telefone, ficou meditando por alguns instantes. Depois chamou um dos detetives à sua sala.

Quando o policial entrou, Padilha deu a ordem: - o negócio é o seguinte, Marreta. Pegue um dos carros e vamos até a casa do Cardoso. É. O Cardoso, o perito. Não sei não, mas eu acho que deve ter acontecido alguma coisa. Eu estive com ele ontem à noite e ele tinha ficado de vir até aqui hoje pela manhã. Não veio. Tentei o telefone e o celular e nada. Além disto, ainda não entrou em serviço e que estava atrasado. Eu estou com um pressentimento e vou até a casa dele.

- é prá já, doutor...

Em poucos minutos, Padilha e o detetive Marreta se dirigiam para a casa do perito, que não ficava tão longe assim da delegacia.

KLONIX – CAPÍTULO 20

No dia seguinte, Juliano e Vilma pegaram um táxi e deram o endereço do pesquisador. Ele morava em uma ampla casa nos arredores da cidade, em um bairro de classe média alta. Chegaram ao portão que foi aberto através um controle remoto. Quando desceram do táxi, na entrada principal viram um homem bem trajado. Devia orçar pelos oitenta anos de idade, com a pele amorenada que contrastava com seu bigode e cabelos já bem grisalhos. De imediato notaram que ele irradiava simpatia, quando desceu os degraus da entrada e os saudou em um inglês perfeito, convidando-os a entrar.

No vestíbulo da grande casa, se apresentou: - meu nome é Ezechiel. E, ao que parece, estou ficando famoso. Afinal, não é todo o dia que recebo um casal de brasileiros em minha casa. Mas, fiquem à vontade. Acionou uma campainha e uma funcionária veio em seguida.

Levando-os para uma sala, perguntou-lhes: - o que preferem? Café, chá ou outra bebida. Ambos falaram em cafés.

Juliano se apresentou e à Vilma: - bem, doutor Ezechiel. Meu nome é Juliano e o dela é Vilma. Estamos envolvidos com o estudo da história humana. Nós somos pesquisadores e temos um motivo importante para estarmos aqui. Não nego que estou ansioso em lhe passar o que apurei e pedir-lhe a sua ajuda, de modo que possamos esclarecer todas as dúvidas. Dúvidas estas que estão pululando meu cérebro.

Ezechiel os interrompeu: - mas não há pressa, doutor Juliano. Não há pressa. Hoje eu estou em um dia que chamo de feliz. Feliz por não ter de fazer nenhuma conferência nem tampouco receber algum jornalista chato. E, para mim, é sempre um prazer receber alguém que como eu, também mergulhou a fundo na história humana. E questiona esta história mal contada.

Juliano observou: - mas como o senhor sabia do meu trabalho, pois não lhe havia mencionado isto em nosso contato telefônico?

O homem sorriu: - é verdade. Mas eu sou um pesquisador. Quando o senhor me enviou seus e-mails, tive a curiosidade de procurar saber um pouco a seu respeito. E devo lhe dizer que o senhor é visto com bons olhos na comunidade que se dedica à história humana. Afora que mantive um contato com a organização para a qual o senhor trabalha. E o presidente dela, o Avelar, é meu velho conhecido. Foi ele que insistiu para que o recebesse.

Vilma estava surpresa: - é. Realmente o mundo é pequeníssimo. O doutor Avelar lhe falou a respeito das razões desta visita?

Ezechiel negou com um largo sorriso: - não. Ele apenas me disse que seria interessante recebê-los. Só isso. E eu fiquei curioso em saber do que se tratava, pois não é muito comum um casal sair de tão longe para vir até aqui visitar este velho teimoso. Vamos tomar o nosso café e depois iremos para meu gabinete para que possamos conversar à vontade. Ah, bem a propósito, eu não admitirei que saiam sem almoçar comigo. Além disto, vou tomar uma liberdade: já de muito que não pratico meu português. E vou relembrar um pouco com vocês. Assim, me perdoem de antemão caso cometa muitos erros.

O trio tomou o café e seguiram para o interior da casa, em direção a um largo aposento que Ezechiel havia transformado em seu bunker de trabalho.

Quando entraram o casal se impressionou com a quantidade de livros, cartazes, peças de arqueologia, bugigangas e outras coisas que encontraram. Tudo na mais perfeita desordem. Ao mesmo tempo, ficaram imaginando o que seria trabalhar em um ambiente daqueles. Principalmente para quem se dedicara a vida inteira em desvendar os segredos escondidos nas línguas e histórias dos povos mais diversos que já habitaram a terra.

Depois de se acomodarem nos sofás semi-entulhados, foi Juliano quem iniciou a conversa, dando um rápido resumo de seu trabalho e relatando ao escritor o que acontecera com os passageiros do ônibus. Depois, com detalhes, narrou-lhe o que havia conseguido, inclusive com a descrição do que o colono havia visto na noite do desaparecimento das pessoas e do veículo. Ezechiel o ouvia sem perder uma só palavra, enquanto Vilma passeava os olhos pelo ambiente.

Juliano então lhe falou do sinal, retirando as fotografias de sua pasta, junto com uma caixa de madeira que trouxera: - aqui está o enigma que me trouxe até aqui. Estas fotos foram tiradas quando o sinal ainda estava na árvore. Depois, com um machado e com todo o cuidado extraí da árvore a parte em que o mesmo estava gravado. Veja. E abriu a caixa para que Ezechiel pudesse contemplar a lasca de madeira. Na realidade, eu tive a impressão que eu já havia visto este sinal. Para mim deu-me a impressão de nosso sistema solar, dividido pelo ômega que representaria o Cinturão de Asteroides. Mas não consegui localizar, de forma alguma, onde o havia visto. Continuo tentando achar algo parecido. Mas sem sucesso.

Ezechiel olhou detidamente a lasca de madeira. Transmitia a impressão de que estava percorrendo a sua memória em busca de alguma informação: - é interessante. Eu também tenho a impressão nítida de que já vi este sinal em algum lugar. Mas também, como você, eu não consigo lembrar onde e quando. Espere! Este sinal obedece a uma ordem quase perfeita. Não é comum encontrarmos formas tão perfeitas nas obras dos povos antigos. Mas talvez eu possa associá-lo a algo da época sumeriana.

Juliano assentiu: - o que o senhor está dizendo é uma verdade. Normalmente as inscrições, monumentos e placas que encontramos têm em comum as falhas geométricas e de traçado. Eles eram perfeccionistas em se tratando de construções. Principalmente palácios e templos. Mas, no tocante à arte, eram bastante rudimentares.




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