A eucaçÃo física escolar: do meu, do seu, do nosso jeito e a açÃo entre disciplinas



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Encontro24.12.2017
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A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: DO MEU, DO SEU, DO NOSSO JEITO E A AÇÃO ENTRE DISCIPLINAS.

RESUMO: Alexandra Cipriano educadora da Escola Municipal Jornalista José Ramos. O objetivo do presente projeto é motivar os alunos do ensino fundamental do 1° e 2° ciclo conhecer e utilizar de sua cultura corporal, onde todos participam.E que aprendam os conteúdos de sala de aula, na prática com a Educação Física. A metodologia aplicada é o construtivismo, tendo como referenciais os PCNs, estudos de Piaget e a prática de João Batista Freire, Educação de Corpo Inteiro, enfatizando a cultura corporal e utilização de vídeo, enfocando outros jogos.O resultado da prática da Educação Física Escolar faz com que os educandos desenvolvam o aspecto cognitivo, estimulando a convivência em grupo, da necessidade do outro para colocar as estratégias em prática, amplia a forma do pensar, por meio do registro (escrita e desenho), que o torna mais expressivo, espontâneo e as outras disciplinas significativas aos alunos.


RELATO DE EXPERIÊNCIA: A proposta do tema acima, foi planejado a partir da observação da turma de 3ªsérie em 2005, na Rede Pública de Embu das Artes. Tendo como objetivos , a ampliação da cultura corporal dos alunos, o respeito a si mesmo e aos outros, a organização no espaço do caderno, aprendizagem dos conteúdos das demais áreas por meio da Educação Física. A sala de aula era difícil: pouca leitura, as escritas desajeitadas, indisciplinados, falta de respeito era muito grande, crianças que apresentavam imaturidade. Por onde iniciar, essa tarefa toda de organização por meio da Educação Física? Obtive a resposta ao abrir o livro de João Batista Freire, Educação de Corpo Inteiro (p.112, 1999), “por onde poderíamos começar, senão pelo conhecimento que a própria criança possui ao entrar na escola?”; em reunião de pais relatei a situação da turma e que havia a necessidade de resgatar determinados conceitos.

Pois, segundo os PCNs (1997 ), os conteúdos abordados para o 2ºciclo são, na realidade, desdobramentos e aperfeiçoamentos dos conteúdos do ciclo anterior. Porque , consolidado esse repertório, a possibilidade de compreensão de regras é maior, permitindo que percebam suas funções, de modo a sugerir alterações para tornar as brincadeiras e jogos mais desafiantes. E assim iniciei, enfocando mais as brincadeiras e jogos sem preocupar-se com o cumprimento dos conteúdos de sala.

As explicações das atividades e até mesmo montagem das equipes quando necessárias, eram feitas na sala de aula, na quadra fazíamos uma breve recordação do planejado. Decidiram começar pelo pega-pega tradicional com algumas regras estabelecidas pelas crianças, após vieram as variações: pega-pega fruta; pega-pega americano; pega-pega duro ou mole. Após essa diversidade demonstrada pelos alunos, foi ensinado outras variedades que desconheciam como: pega-pega corrente; serpente, nunca três entre outros.

Em sala de aula, iniciaram pela dança das cadeiras tradicional; E as variações apresentadas pela professora vieram, sempre com as cadeiras colocadas em círculo, e uma delas era: a cadeira sai e o aluno fica e todos tem que sentar, menos no chão. E assim, foi surgindo outras variações.

No decorrer do projeto foi utilizado o construtivismo, o qual entende a aprendizagem escolar como um processo de construção de significados, tendo como principal responsável o aluno; o professor e companheiros como ajudantes desse processo de construção, orientada na direção adequada. A proposta dos PCNs, as práticas de João Batista Freire e os estudos de Piaget vêm de encontro à metodologia, numa concepção de aprendizagem que parte de situações globais, amplas e diversificadas em direção às práticas corporais sociais mais significativas que exigem movimentos mais específicos e sistematizados. Como os alunos já estavam mais socializados, resolvendo as situações problemas com mais calma, sem apontar o dedo para o nariz do outro, sem gritar respeitando as regras mais simples, passamos para a queimada que tanto queriam. O processo sempre o mesmo.

Nesta atividade levantamos regras, conhecidas e como variação, a queimada invertida. Aproveitando a dinâmica da brincadeira, foi passado o filme “Hardball, o jogo da vida” – que retrata sobre um time infantil de beisebol. Comparamos com qual jogo ele era parecido e adequamos à queimada. A sala era dividida em 2 times, onde um ficava fora da quadra de vôlei e o outro dentro (ataque), cadeiras em alguns pontos estratégicos (base), da quadra de vôlei. O jogo inicia quando o primeiro da fila lança a bola para dentro da quadra, longe ou para o alto, corre para primeira base e se conseguir vai passando de base para base, para não ser queimado deve permanecer na base ou se ainda estiver correndo, tentar tocá-la. Cada vez que um aluno é queimado, o time atacante marca ponto e termina quando todos passam pela base e troca a posição. Os acontecimentos eram variados e numa roda de conversa decidiam o que poderiam mudar, falavam das faltas cometidas, durante o tempo de descanso se reuniam para elaborar estratégias. Essa atuação para os PCNs, significa a compreensão das regras e autonomia para organização das atividades, permitindo que os aspectos estratégicos passem a fazer parte dos problemas resolvidos pelo grupo, nesse sentido, o professor pode interromper os jogos em determinados momentos, solicitando uma reflexão e uma conversa sobre qual estratégia mais adequada, auxiliando para que novos aspectos tornem-se observáveis. O projeto foi encerrado na feira cultural como uma mostra.

Quanto aos resultados, foram muito bom para o grupo, pois, passaram a ter respeito entre eles, resolvendo as situações conversando, criavam estratégias entre eles para o próximo jogo, perceberam alguns colegas mais habilidosos no ataque e lançavam a bola para estes. Eles mostraram muita satisfação, devido ao significado que as atividades causaram em suas vidas; alguns alunos começaram a freqüentar o ginásio de esporte da comunidade para aprimorarem as técnicas do handebol e outras modalidades. Quanto a parte da escrita e desenhos, estavam mais elaborados, organizados, a grafia e o desempenho em outras áreas melhorou.

Esse mesmo projeto está sendo aplicado este ano (2006), com crianças da 2ªsérie do 1ºciclo, estamos na fase do pega-pega, dança das cadeiras, brincadeiras cantadas e iniciando jogos de pequenas regras, queimada; firmando a teoria de Piaget e dos PCNs, quanto ao conteúdo no 1ºciclo, em função da transição do estágio pré operacional (da função simbólica) para o estágio das operações concretas (função social e regrada), onde os jogos e brincadeiras privilegiados são aqueles cujas regras forem mais simples, abordando uma série de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. No entanto, são adaptadas brincadeiras na sala e na quadra, que envolvem conteúdos de outras disciplinas para a aula de Educação Física, a fim de reforçar seu aprendizado.



Os alunos registram por meio da escrita, quando definimos regras, lista de materiais e pesquisas, ilustram as cantigas ensinadas. O registro é um meio de comunicação e avaliação para o professor acompanhar como a criança entendeu a atividade, “a percepção vivida pela criança”, Vayer (1989) diz “que facilita a reflexão sobre sua ação”, o que ficou de mais significativo e sua percepção espacial no papel. E a partir do momento em que a criança consegue a organização corporal, seus desenhos apresentam uma melhor estrutura, isto é, quanto mais consciente é a criança mais rico é o seu desenho. Melhorando, segundo Vayer (1989), a representação mental, permitindo à criança visualizar e memorizar as sensações, as noções e as aquisições. A ocupação do papel de acordo com Derdyk (1994), às vezes é integral, às vezes parcial: no centro, nos lados, embaixo, em cima; gestos largos e expansivos, pequenos e introvertidos, são verdadeiras coreografias no espaço do papel. O fundamento desse processo é que, além de permitir trabalhar com a memorização, auxilia na alfabetização.




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