A biogeografia dos vetores de importância sanitária em áreas e expansão de cana



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A BIOGEOGRAFIA DOS VETORES DE IMPORTÂNCIA SANITÁRIA EM ÁREAS E EXPANSÃO DE CANA.

CASAGRANDE, Baltazar1



INTRODUÇÃO –

balanço da introdução:

1.Acho que ela ficou muito carregada de biogeografia, acho que você deveria dar uma enxugada nesta introdução: Por exemplo, vc fla o que a biogeografia estuda três vezes (destaque em azul), eu já entendi o que é Biogeografia no primeiro parágrafo.

2. Você devia dar um enfoque maior pra cana, vc não falou nada dela na introdução

3. Sua introdução ta maior que os resultados, acho que algumas coisas poderiam estar nos resultados e tirar da introdução como a história da biogeografia, vc poderia colocar no começo dos resultados (destaque amarelo), porque nos resultados vc entra muito seco.

A Biogeografia estuda a distribuição de plantas e animais sobre a superfície da Terra num contexto espacial e temporal. Neste contexto a Biogeografia objetiva entender os padrões espaciais de diversidade biológica, partindo da premissa que a diversidade de plantas e animais varia de forma não aleatória e previsível (GILLUNG, 2011). Devemos destacar ainda que a atuação do homem causou impactos sobre o meio ambiente. Sendo assim, Biogeografia estuda(Nessa conjuntura, o seu estudo também na) atuação do homem sobre o meio ambiente de forma a entender as alterações nos organismos para melhor manejá-lo, tornando possível predizer e atenuar as consequências das alterações antrópicas (RICKLEFS, 2009).

Quando olhamos para o meio podemos enxergar um inter-relacionamento entre as espécies que é de fundamental importância para a manutenção da "vida". Já no século XVIII, Linnaeus dizia que na natureza tudo se interconecta e tende a um equilíbrio. Linnaeus vinculava as estações do ano, as chuvas, os solos e o clima às diferentes espécies de animais e plantas (DROUIN, 1993p.). É verdadeira, a afirmativa que os seres vivos não são capazes de sobreviverem e reproduzirem isoladamente, ou seja, independentemente de outro.

Contudo, é importante enfatizar que as relações entre os seres vivos não são estáticas, ou seja, na natureza a característica maior é a troca de energia entre seus componentes. Sempre ocorre uma adaptação, tendendo ao equilíbrio, cuja estabilidade jamais é alcançada. Sendo assim, meio e seres vivos estão em permanente e contínuo processo de adaptação mútua, isto é estão "evoluindo" sempre. Para entender as relações entre os seres vivos, é importante entender a sua biogeografia (COX e MOORE, 2013p.).



Segundo Troppmair (2012) a biogeografia é a ciência que estuda (já é a terceira vez que vc fala que a biogeografia estuda) a distribuição dos seres vivos no espaço através do tempo. Troppmair, (2012), acrescenta ainda que devemos levar em consideração as condições geográficas do presente e do passado juntamente com a ação antrópica que são fatores determinantes e condicionantes na distribuição.

Segundo Nelson e Platnick, (1981) a biogeografia busca compreender os padrões gerais de distribuição das espécies, a relação do meio com a distribuição e ainda a relação entre as áreas de distribuição. Para Croizat, (1952) e Humphries, (2000) a biogeografia pode ser dividida em componentes. Sendo eles o espaço, o tempo e forma. O espaço é no sentido comum de localização geográfica de ocorrência do organismo, o tempo trata-se de eventos históricos que influenciaram nos padrões atuais e a forma são as representações dos organismos.



Ao longo dos anos a biogeografia foi criando uma historia que segundo Nelson e Platnick, (1981), pode ser dividida em dois períodos. O primeiro é chamado de pré-evolutivo. Este período é o que trabalha com a teoria da dispersão, acredita se no fixismo das espécies, da estabilidade da terra e o centro da origem das espécies. O segundo período é chamado de evolutivo, é aquele que leva em consideração a teoria vicariante, que incorpora as idéias de mudanças do meio e da terra (COX e MOORE, 2013).

Papavero, et al (1997) faz uma busca na essência do termo dispersão trazendo a bíblia, mais especificamente em Genesis, como uma concepção arraigada na teoria da dispersão, onde destaca a origem de todas as espécies a partir do jardim do Éden e depois para as demais regiões do globo. Este mesmo autor retrata ainda que podemos associar também ao raciocínio da Arca de Noé que tem como origem de todas espécies em um único ponto e depois a dispersão para as demais áreas do globo.

O naturalista sueco Lineu (1707- 1778), acreditava que todos os organismos teriam se originado de poder divino. Dizia que existiria na região tropical, próxima ao Equador uma “Montanha Paradisíaca” com diferentes espécies adaptadas à diferentes altitudes - organismos de climas quentes na base da montanha e organismos de climas frios nas partes mais elevadas (COX e MOORE, 2013).

Após Lineu o cientista Georges Buffon (1707-1788), estudou mamíferos africanos e sul-americanos. Nestes estudos percebeu que diferentes regiões do mundo, mesmo que climaticamente semelhantes, apresentavam diferentes espécies de animais. Após a validação deste estudo, pode perceber que se aplicava também à aves, répteis, insetos e plantas. Ficou conhecida como a Lei de Buffon ou como o primeiro princípio da Biogeografia. Buffon fez também várias outras importantes observações que contribuíram para o avanço da Biogeografia, como uma possível conexão no passado entre alguns continentes atualmente isolados e a extinção de alguns animais (COX e MOORE, 2013).

Vários autores trabalharam com a mesma visão de Bufon. Os estudos destes autores contribuíram com para a consolidação da visão de que a Terra, seu clima e suas espécies são dinâmicos. Dentre os autores naturalistas do final do século XVIII e início do século XIX, podemos destacar alguns como o alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) e o botânico suíço Augustin de Candolle (1778-1841).

O geógrafo alemão Humboldt defendia uma divisão do mundo em regiões naturais distintas de plantas e animais. Candolle definiu 20 regiões fitogeográficas, 18 continentais e 2 insulares para o mundo, influenciado por Humboldt, seus estudos partiram de uma teoria de dispersão de plantas em escala global. A distinção entre estas regiões se dava pela presença de plantas restritas a cada regiões, denominadas por ele por endêmicas.

Já em 1858, Charles Darwin (1809-1882) divulga sua teoria sobre o surgimento de novas espécies partindo de outras, conhecida como a teoria da origem das espécies. Sua teoria é baseada na “seleção natural”, que são as variações entre os seres vivos e as interações entre estes e o ambiente. O acúmulo destas variações e interações favoráveis através da seleção natural permite, ao longo de um grande intervalo de tempo, o aparecimento das adaptações surgindo novos organismos tão distintos de seus antecedentes a ponto de poderem ser caracterizados como uma nova espécie. O alemão Alfred Wegener, propôs a teoria da “deriva continental”, dizendo que os continentes já foram unidos no passado. Foi o primeiro a demonstrar evidencias de tal fato.

Assim, cabe ao biogeógrafo, utilizar a técnica correta para resolver o problema encontrado. Este trabalho tem como objetivo apresentar uma discussão a cerca da biogeografia dos vetores de importância sanitária em áreas de expansão canavieira



METODOLOGIA

Este trabalho é fruto das observações de campo e levantamentos bibliográficos do doutoramento em Geografia. Para demonstrar os pensamentos relativos ao tema percorremos por várias vertentes da Biogeografia, utilizando os conceitos de Troppmair (2012), que trabalha na perspectiva da Biogeografia Floristica-Faunistica que estuda a distribuição geográfica e as causas da ocorrência de determinada espécie vegetal e animal em um espaço, passaremos pela Biogeografia Médica que estuda a distribuição e as causas da ocorrência de pragas e moléstias. E por fim com a Biogeografia ecológica que estuda as inter-relações dos seres vivos com condições geoecológicas do meio ambiente em determinado espaço.

Sinônimos de estuda: perscrute, reflete sobre, versa, que entende que...

RESULTADOS/DISCUSSÕES – acho que está precisando de uma viadagem, vc entre muito seco na metodologia, precisa de um lubrificante!

Ainda em 1587, Gabriel Soares de Souza, sugeriu a transmissão da bouba por insetos. Em 1776, Montfils levantou a possibilidade da brucelose ser transmitida por moscas e em 1869 Raimbert demonstrou ser verdade. Somente em 1978 que Manson demonstrou experimentalmente a transmissão de uma doença por insetos e ainda mostrou a importância dos estudos do comportamento dos parasitos nos hospedeiros intermediários (ÁVILA PIRES, 1989). Daí podemos verificar o inicio da importância da biogeografia na epidemiologia. (desculpe o não conhecer do tema, mas não entendi nada!)

Dessa maneira, o estudo das interações de espécies vetoras de doenças com os fatores ambientes podem ser entendidos no campo da biogeografia. Segundo Avila-Pires (1989), cada organismo apresenta uma determinada amplitude no grau de tolerância, frente a cada fator do meio: temperatura, umidade, luz, pressão, competição. A existência e as características de cada associação de microorganismos, vetores e hospedeiros dependem, portanto, da superposição das áreas respectivas de distribuição geoecológica — simpatria — e da coincidência dos graus de tolerância às condições ambientais, em uma faixa comum. Focos e biótopo coincidem no espaço, mas não, necessariamente, no tempo.

Neste campo de trabalho, biogeografia de vetores de importância sanitária, podemos trabalhar no sentido das relações biológica e socioambientais com os demais fatores do meio físico em escala amplificada, bem como em escala local endógena que cada indivíduo abriga. Neste sentido, saúde e doença são resultados do comportamento e equilíbrio destes fatores.

Frente as alterações ambientais referentes a implantação de monoculturas como a cana de açúcar todos estes aspectos discutidos anteriormente sofrem alterações. Nos trabalhos de levantamento de fauna de vetores de importância sanitária no doutoramento, observamos que em ambientes de florestas são encontrados pequenas quantidades de insetos, mas com grande variedade de espécies, nos ambientes de pequenas propriedades são encontradas milhares de insetos e geralmente com prevalência de uma única espécie vetora, dentre elas os vetores das leishmanioses e da malária. Já nas áreas de plantação de cana e das áreas tangentes a estas foi observado ausência destes vetores. Neste estudo temos observado somente aumento de algumas espécies e ausência de outras entre ambientes florestais e em pequenas propriedade. Haja visto, que em áreas de monoculturas temos a ausência dos vetores o que pode ser a causa da proliferação da conhecida mosca do chifre (nome cientifico)

Casagrande et. al. (2014), realizando trabalhos com flebotomíneos no interior e na borda do Parque Estadual do Morro do Diabo revelou que a similaridade entre os flebotomíneos destes dois ambientes é de 0,44, resultado para similaridade considerado baixo.

Casagrande, Santos e Guimarães (2015), apontam que ao analisar a relação de áreas preservadas do município de Cananéia e as espécies de flebotomíneos pode-se estabelecer uma forte correlação com a diversidade de espécies. Já quando analisaram o município de Teodoro Sampaio, que também possui remanescentes de florestas, a diversidade de espécie é um pouco menor. Bauru é um município altamente antropizado e com diversidade de espécies baixa. Isso implica dizer que os locais antropizados possuem menor diversidade de espécies.

Conforme o trabalho de Rangel e Vilela (2008), a urbanização da leishmaniose visceral americana (LVA) ocorreu, principalmente pela adaptação do Lutzomyia longipalpis, principal vetor da LVA, ao ambiente urbano. Novamente, remetemos à questão das mudanças ambientais e a adaptação de alguns vetores. Vale evidenciar que no município de Cananéia não aparece o L. longipalpis, enquanto nos outros dois municípios este vetor está presente.

Percebemos que esta ocorrendo um processo de “domiciliação” de algumas espécies a nova dinâmica que foi imposta pela monocultura. Vale explicar que o termo “domiciliacao” é o melhor a ser utilizado neste tipo de interação, pois muitos autores utilizam o termo “adaptação”. Sendo que o termo “adaptação” pode ser entendida como um organismo que sofre modificação genética na qual a aquisição de novos padrões de comportamento e modificações da biologia, como explica Schofield et al.(1999).
CONSIDERAÇÕES

Podemos concluir que os estudos da biogeografia dos vetores de importância sanitária podem auxiliar no entendimento do comportamento dos mesmos a partir de uma visão integrada sociedade natureza fundamental para o controle vetorial e para implantação de ações preventivas contra a doenças infecto parasitárias. Nesta, visão, As formas de ocupação do espaço podem gerar problemas a saúde humana, devendo ser planejada por órgãos governamentais e não governamentais para que as populações tenham melhores condições de vida sem colocar em risco o seu modo de vida.



REFERÊNCIAS – as referencias não podem ter espaço entre elas.

AVILA-PIRES, F. D. de,. A ecologia das doenças infecciosas e parasitarias. Cadernos de Saúde Pública Vol. 5 (2) 210-218

Abr/Jun, 1989.

CASAGRANDE, B., SANTOS C. R., GUIMARÃES, B. G. O uso do NDVI no estudo da fauna flebotomínica (Díptera: Psychodidae), no Estado de São Paulo – Brasil. In: VII Simpósio Nacional de Geografia da Saúde. IV Fórum Internacional de Geografia da Saúde. 2015. Brasília. Anais. Brasília CD-ROM.


CASAGRANDE, et. al. Flebotomíneos (díptera: psychodidae) encontrados no interior e na borda do Parque Estadual do Morro do Diabo, município de Teodoro Sampaio - SP. In: XXX Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas XVIII Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em Leishmanioses, 2014, Uberaba. Anais. Uberaba: Artigos. CD-ROM, On-line. ISBN 85-17-00018-8. Disponível em: < http://www.gapcongressos.com.br/eventos/z0150/restrita/trabalho.asp>. Acesso em: 30 out. 2014.
COX, C. B.; MOORE, P. Biogeografia – uma abordagem ecológica e evolucionária. Rio de Janeiro; LTC, 2013
CROIZAT, L. 1964. Space, time, form: The biological synthesis. Publicado pelo autor, Caracas.
DROUIN, J-M. De Lineu a Darwin: os viajantes naturalistas. In: SERRES, M. (org.). Elementos para uma história das ciências II. Do fim da idade média a Lavoisier.

Lisboa: Terramar, v. 2, 1996, p. 149-166.


GILLUNG, J. P. Biogeografia: a historia da vida na terra. Revista da Biologia. Vol.

Esp. Biogeografia, 1-5. 2011.


HUMPHRIES, C. J. Form, space and time; which comes first? Journal of

Biogeography, 27, 11-15. 2000.
RANGEL, E. F. E VILELA, M. L. Lutzomyia longipalpis (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae) and urbanization of visceral leishmaniasis in Brazil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 24(12):2948-2952, dez, 2008.
NELSON, G. e Platnick, N. Sistematics and biogography cladistics and vicariance. Columbia University Press. New York. 1981.
PAPAVERO et. al. História da Biogeogafia no período Pré-evolutivo. São Paulo, plêiade/Fapesp. 1997.
RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
TROPPMAIR, H. Biogeografia e Meio Ambiente. Ed. Techinical Books, 9ª ed., Rio Claro. 259 p. 2012.

1,Mestre e Doutorando em Geografia, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Presidente Prudente, São Paulo, flebalta2012@gmail.coml.

Órgão de fomento: FAPESP- Processos números 2013/25920-5 – 2012/23959-9. Projetos vinculados ao temático que faz parte do Coletivo Cetas de pesquisa.







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