A associaçÃo cristã de moços na primeira década do século XX na cidade de recife: a educaçÃo física como elemento de distinçÃo social



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A ASSOCIAÇÃO CRISTÃ DE MOÇOS NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XX NA CIDADE DE RECIFE: A EDUCAÇÃO FÍSICA COMO ELEMENTO DE DISTINÇÃO SOCIAL.
Paulo Fernandes de Oliveira

Universidade Federal de Pernambuco

pfo_1982@hotmail.com

Palavras - chaves: Educação Física; Esporte; Autocontrole



INTRODUÇÃO

O interesse em pesquisar sobre a História da Educação, mais especificamente da Educação Física é fruto de vários acontecimentos ocorridos ao longo em nossa vida acadêmica. Inicialmente no Curso de graduação em Educação Física, realizada na Universidade Federal de Pernambuco, tivemos a oportunidade de fazer parte de um Projeto de Pesquisa denominado “Cidade, Ação e Sports: um estudo da introdução dos esportes em Recife”, e que tinha como enfoque o estudo sobre a História da Educação Física e do Esporte nesta cidade.

Dentro do projeto de pesquisa existiam três linhas de trabalho, a primeira, esporte e cidade; a segunda, história da Educação Física Escolar e esportes na escola; a terceira, representações sócio-históricas do esporte. Ao longo da investigação, na linha de pesquisa Sport e Cidade, sobre o início das práticas desportivas na cidade de Recife no final do século XIX e início do século XX, pudemos perceber uma grande quantidade de instituições de ensino presentes na cidade neste período.

Na continuação da pesquisa tivemos a oportunidade de participar do II Seminário do Centro de Memória do Esporte da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais, aonde através de contato com a pesquisadora Meily Assbú Linhales, que trabalha com a temática da Associação Cristã de Moços, nasceu a inquietação de nossa parte sobre esta unidade de análise, pois a mesma teve reconhecida importância na disseminação do Esporte no Brasil e no mundo, porém ainda não havia sido realizada uma investigação científica que desse a merecida atenção a esta instituição em Recife.

Assim, entramos em contato com a Federação Brasileira das Associações Cristã de Moços, sediada na cidade de São Paulo e recebemos a resposta de que estava sendo selecionado um material relacionado à Associação Cristã de Moços de Recife, Pernambuco que nos seria enviado assim que estivesse devidamente organizado, tendo o mesmo chegado em nossas mãos no início do ano de 2006.

De posse deste material que nos foi enviado, surgiu a necessidade de construir um projeto de pesquisa que tratasse da Associação Cristã de Moços Recife na perspectivas da prática da Educação Física, a fim de realizar uma descrição dos aspectos das fontes que nos foram confiadas, bem como dar um trato metodológico às mesmas para a organização de um material que servirá de fonte para futuras pesquisas sobre a temática.

No ano de 2009 participamos de uma seleção para o Curso de Especialização em Educação Física Escolar realizado pela Universidade Federal de Pernambuco em parceira com a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, na qual fomos aprovados e cujo objeto escolhido para o Trabalho de Conclusão de Curso foi a prática da educação física na associação cristã de moços Recife.

A partir dessa pesquisa preliminar pudemos direcionar nossos esforços no sentido da escolha de nosso objeto de análise que se constitui na prática da Educação Física na cidade de Recife no início do século XX, pois este período refere-se ao início do processo de modernização nesta localidade.

O estudo da História da Educação Física e das instituições que a usam a mesma como elemento constituinte de suas práticas educativas sempre nos fascinou e é muito estimulante e produtivo trabalhar na pesquisa com um objeto de estudo cuja unidade de análise é uma instituição educativa localizada no Estado de Pernambuco, especificamente na cidade de Recife.

Buscamos através de nossa pesquisa dar o pontapé inicial na investigação sobre as influências da prática da Educação Física sobre o processo de modernização, mais especificamente na cidade de Recife, pois este enfoque carece de pesquisas.



CARACTERIZAÇÃO DA CIDADE DE RECIFE NO INÍCIO DO SÉCULO XX.

O período da Primeira República é de grande importância para a Educação Física no Brasil, pois neste período o Estado Brasileiro tenta dar-lhe um embasamento científico, por meio dos conhecimentos da anatomia e da fisiologia, bem como dá importância para a sua prática como instrumento para a ordem social.

A cidade de Recife, capital do Estado de Pernambuco estava passando por um processo de modernização. Tinha o porto marítimo mais próximo da Europa do que qualquer outro do Continente Americano, por isso se constituíam como um ponto ideal para o comércio exterior.

A economia Pernambucana neste período passava por um momento de transição. Era predominante rural/ agroçulcareira, mas já estavam presentes elementos da modernidade industrial, como por exemplo as ferrovias que articulavam a produção com a disttibuição do açúcar para o mercado, tendo o Porto do Recife como ponto para escoamento da produção para o mercado externo.


Cerca de cinqüenta das fábricas de açúcar estão instaladas com modernos equipamentos, operados a vapor e hidráulica, sendo o restante, principalmente as usinas de açúcar à moda antiga, trabalharam em planos primitivos, embora dentro dos últimos anos a introdução de novas máquinas tem vindo a aumentar constantemente. Os canaviais cobrem extensas áreas, e são atravessados por ferrovias privadas, que transportam a cana do campo para a fábrica, e transportar o produto fabricado para a estação mais próxima para ser colocado a uma linha direta para o porto” (WRIGHT, 1907, p.448).
Outro componente da organização industrial é a constituição da Companhia Geral de Melhoramentos, que deu origem a muitas Usinas de açúcar no inteiror do Estado de Pernambuco, que produziam além do açúcar, a cachaça e a rapadura.

Sobre a situação da cidade de Recife no início do século XX, Wright (1907), faz um apanhado da cidade no ano de 1907,


A população da cidade é de cerca de duzentos mil. Ela ocupa o quinto lugar entre as cidades brasileiras, e tem as vantagens de melhorias como instalações de iluminação elétrica e gás, sistema de distribuição de água potável, drenagem, serviço de carro de rua, e de comunicação telegráfica e telefônica. O serviço de cabo de Pernambuco é excepcionalmente bom, que liga as cidades da América do Sul com todas as partes do mundo. Não tem menos de dez linhas de cabo para a parte externa (p. 453).
A cidade de Recife, então governada pelo Dr. Sigismundo Antônio Gonçalves, necessitava de ações que contribuíssem para a melhoria da qualidade de vida da população. Tais como a ações de saneamento básico e a prática da Educação física como elementos da higiene.

Elias (1994) discute como a sociedade e seus indivíduos vão sofrendo modificações ao longo do processo de civilização por qual passam através de seus hábitos e costumes, ou seja, o comportamento vai ficando cada vez mais refinado, contribuindo para a formação do novo modelo de homem que esta sociedade pretende.


Numa sociedade que começava a viver as mudanças no modo de ser daquele ‘homem cordial’, por aparecerem indivíduos com comportamentos diferenciados, individualizados, no sentido de viver mais por si, as manifestações em público, de uma excitação controlada, sem grandes exageros, surge como algo que chama a atenção. (LUCENA, 2001, p. 132).
No caso do Recife o homem cordial vai se utilizar de elementos novos como o esporte como forma de manter a sua individualização, pois há uma mudança cultural com a incorporação de atitudes vindas de outros países, como por exemplo, da Inglaterra. O imaginário do ser moderno é se utilizar desses elementos, isso traz prestígio para o indivíduo.

O homem cordial do Recife era um homem de atitudes polidas, de maneiras mais contidas, que desenvolve o seu poder de internalização das condutas, de acordo com as necessidades da sociedade de sua época.

Essa capacidade de controle interno das suas pulsões, o autocontrole, se constitui como um elemento componente do comportamento do homem diante da sociedade industrial e assim, contribui para como o esforço civilizador do Recife no período em questão.

O momento pelo qual a cidade de Recife, capital do Estado de Pernambuco estava passando, de transformação social e econômica trazia consigo a necessidade de novos modos de se comportar perante os outros, a construção de um novo “habitus” cultural.

O esporte tem um papel importante na construção desse novo modelo de comportamento a ser seguido, pois por ser um elemento bastante regulamentado, ajuda o indivíduo a incoporar atitudes mais sutis, mais condizentes com as necessidades da sociedade recifense em seu processo de modernização.

Neste contexto, ele vai sendo incorporado como um elemento de modernização neste novo modelo de sociedade que necessita de práticas que a diferencie e o afaste do passado, que naquele momento era considerado inadequado.

O lócus primordial dessas práticas e comportamentos modernos é a cidade, a qual se molda com os processos de desenvolvimento por qual passam e ao longo do tempo os indivíduos que a constituem incorporam comportamentos que vão surgindo.

Um estudo sobre o início das práticas da Educação Física no Recife feito por Lucena & Oliveira (2005), diz o seguinte:


A relação íntima entre as práticas esportivas e a própria cidade, fica evidente na denominação e ocupação dos espaços construídos, outrora, para a prática de corridas de cavalos e que hoje dão nome a vários bairros do Recife, a exemplo do Prado, Hipódromo e Derby (p. 11).
Os espaços urbanos foram sendo construídos ao entorno dos locais aonde eram realizadas tais práticas desportivas, sendo assim, o Esporte também interfere na reorganização e significação dos espaços urbanos na cidade de Recife, refletindo sua importância como elemento da prática social dos cidadãos recifenses da época.

Lucena (2001), em seu trabalho intitulado o Esporte na Cidade trata do esforço civilizador brasileiro, no início do século XX através da prática de novos comportamentos incorporados a partir das potências européias. Entre esses novos comportamentos, o esporte, tem um papel de destaque, nesta cidade que estava passando por um processo de desenvolvimento e que exigia ações civilizadas.

A prática da Educação Física através do Esporte e da ginástica são elementos identificáveis do processo civilizador no Brasil, neste caso na cidade de Recife e exigiam a incorporação de comportamentos que por si somente serviam como mecanismos de distinção social.

Sobre o esporte como elemento de evolução na sociedade brasileira que estava passando por um processo de transformação que a cidade exigia, vale apenas destacar os escritos de Lucena (2001):

[...] o esporte se caracteriza por uma ação “nova” e própria de uma sociedade em transformação. É considerado, para as elites, como uma prática “civilizada”, por isso educada e educativa, em contraposição aos jogos tradicionais vistos como parte de uma sociedade colonial e arcaica, fonte de emergência de atitudes rudes e primitivas (p. 11).

Podemos destacar entre essas práticas o entrudo, jogo de origem portuguesa que consistia em quebrar limões de cera cheios de água para molhar as outras pessoas e a capoeira, jogo característico dos negros e visto com maus olhos pela sociedade.

A ideia de ação “nova” e “civilizada” dada ao esporte pelo autor está relacionada a essas práticas como elemento de diferenciação social, pois esta prática estava limitada a um pequeno grupo social privilegiado.

As práticas relacionadas ao modelo colonial que imperava no Brasil na fase anterior de sua história soavam como ultrapassadas, sendo assim necessários novos elementos, mais refinados, de diferenciação social para as elites da época.

Uma das principais características da cidade de Recife era a utilização dessas práticas por uma elite como elemento de diferenciação social, sendo os mesmos práticas populares em seus locais de origem como é o caso do basquetebol, do voleibol e do beisebol.

O trabalho de Lucena (2001) realizado no Rio de Janeiro traz aproximações e referências para o estudo da prática da Educação Física e seus elementos na cidade de Recife, pois nesta época esta também vivia um processo de modernização, onde foram feitas obras de infra-estrutura, bem como eram exigidos novos costumes e ações próprias de sociedades em evolução.

O esporte, um dos elementos constituintes da Educação Física, se pautava em práticas altamente regulamentadas e exigem comportamentos de que diziam civilizados, servindo como elemento de diferenciação social.

Quem detinha os meios para a práticas de tais atividades eram as classes mais abastadas da sociedade, ou seja, a elite dominante e que pretendia manter a sua condição. A condição de elite exigia que tivessem comportamentos que os distinguissem dos outros indivíduos.

Nesse sentido a Educação Física através de seus elementos tinha o papel de diferenciação, pois exigiam atitudes altamente regulamentadas, típicos de sociedades modernas, entre a elite dominante da época e o restante da população.

Esta relação de interdependência, ou seja, o jogo de equilíbrio de poder entre a elite dominante e as outras classes, se utilizava da prática do esporte como meio de diferenciação social, no sentido de que essas práticas denotavam um maior prestígio na sociedade.



INFLUÊNCIAS DO MOVIMENTO HIGIENISTA
A Primeira República no Brasil é um momento histórico em que surgia a necessidade de incorporação de atitudes que colaborassem para a melhoria da saúde da população brasileira, devido aos altos índices de mortalidade identificados em suas duas primeiras décadas. O país necessitava de um grande quantitativo de mão-de-obra em condições de contribuir para a produção no sistema capitalista, o qual o Brasil estava incorporando.

A Educação Física nesta fase se constituía como um instrumento do Estado para a manutenção dos níveis de saúde da população pelas características que a ela foram dadas por educadores e médicos da época.

De acordo com Soares (2004), a Educação Física na Primeira República,
[...] preconizada pelo pensamento médico- higienista era aquela estruturada em bases fisiológicas e anatômicas, as únicas consideradas ‘científicas’. A partir, portanto, de um entendimento anátomo- fisiológico do movimento humano, os médicos colocavam o estudo da higiene elementar como complemento preparatório da Educação Física tornando-a, particularmente na escola, um procedimento higiênico a ser adotado naquela instituição e incorporado como hábito para toda a vida (p. 122).
Dentre esses educadores Rui Barbosa foi um dos que mais intensamente defenderam a Educação Física como instrumento para formação de cidadãos saudáveis e úteis para a produção brasileira. Através de seus Pareceres que, “tiveram larga repercussão, influindo decisivamente para que a Educação Física encontrasse ambiente favorável”, (Marinho, 1977, p. 27).
A contribuição de Rui Barbosa, em seus Pareceres sobre as Reformas do Ensino Secundário e Superior e do Ensino Primário e Várias Instituições Complementares, para que, em nosso país, se criasse uma mentalidade favorável à prática das atividades físicas, quer sob a forma de ginástica, que sob a forma de desportos ou exercícios militares, é tão admirável que ele bem merece o título de Paladino da Educação Física no Brasil, que lhe outorgamos em uma de nossas obras (idem).

Em Rui, encontramos o precursor de idéias fundamentais, que, no âmbito da Educação Física, podem ser assim consubstanciadas: [...] obrigatoriedade da Educação Física no jardim da infância, escola primária e escola secundária, inclusive me cursos industriais, de comércio e agricultura, como matéria de estudo, em horas distintas das dos recreios e depois das aulas [...]instituição de exercícios militares para os alunos do sexo masculino, a partir da escola primária [...] prática de exercícios físicos pelo menos quatro vezes por semana, durante 30 minutos, devendo ser professada a ginástica exclusivamente higiênica e pedagógica [...] preferência, nas nomeações de professores de Educação Física que tivessem habilitação no ensino da ginástica escolar, quando em igualdade de condições com os demais [...] contratação de professores de Educação Física, de competência reconhecida, na Suécia, Saxônia e Suíça [..] dispensa dos exercícios físicos somente para os alunos que, por inspeção médica, fossem declarados incapazes. (idem, p. 18)


Rui Barbosa apresenta muitas das ideias que fundamentam a Educação Física Escolar hoje, como por exemplo, a sua prática no contra-turno escolar, a sua obrigatoriedade na Educação Básica, a busca de profissionais com formação específica, periodicidade semanal das sessões, dispensas de sua prática por inspeção médica.

Essa iniciativa de Rui Barbosa tinha como seguia os conceitos em voga na época do Movimento Higienista Brasileiro, liderado por médicos e educadores, pautados nas ciências naturais, ou seja, neste momento histórico justificavam a presença da Educação Física através dos fundamentos da anatomia e da fisiologia que na época eram as “ciências” reconhecidas, dando-lhe assim um caráter científico.

Os estudos sobre a prática da Educação Física referentes ao período em questão, seguiram no sentido da busca de cidadãos saudáveis e faziam a utilização da ginástica como “aparelho ideológico do Estado”, servindo como meio de moldar o cidadão para servir à Nação, (SOARES, 2004).

A formação de um cidadão mais saudável e forte para servir aos interesses do Estado, tem a intencionalidade de construir um modelo de cidadão sem vícios, ou seja, com um alto nível de autocontrole, na medida em que consegue ter o controle de suas ações e se abster de realizar seus desejos. A Educação Física neste momento oferece um meio para a educação do corpo e controle das emoções, pois neste período, a ginástica tem uma função de padronização de movimentos, bem como o esporte vem ganhando força e este último, assim como o primeiro, demandam do participante um alto grau de controle interno de suas ações.



3. A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO FÍSICA NO RECIFE
No início do século XX com a chagada de alguns imigrantes, principalmente ingleses, que vieram para a construção e organização do processo de modernização da cidade de Recife houve uma certo assimilação da cultura dos mesmos.

O Esporte pode ser considerado como um dos elementos da cultura inglesa que mais se destacou nesse período, inicialmente nos clubes fechados e como o passar do tempo houve uma popularização das práticas para outros meios sociais.

Um dos exemplos mais fáceis de observação são a prática do Remo, que deu origem à Clubes como o Internacional do Recife, Clube Náutico Capibaribe, e o Futebol, que foi desenvolvido no Náutico concomitantemente ao Remo, mas no Sport Club do Recife teve suas atividades iniciadas antes das do Remo.

Esportes tipicamente ingleses que foram incorporados às praticas da cidade de Recife no final do século XIX e início do século XX e que estão ligadas ao processo de modernização pelo qual a cidade estava passndo naquele momento histórico.

Em 1902, jovens membros de igrejas evangélicas de Pernambuco solicitam ao Sr. Myron Clark que fossem dadas informações sobre o funcionamento da Associação Cristã de Moços. Em 1903 o Sr. Clark veio pela primeira vez à Recife e organizou um grupo aspirante à ACM com 25 membros e ao qual cedeu o material para estudo e para a formação do grupo que estava começando.

A Associação Cristã de Moços (ACM) é uma entidade educativa e religiosa de orientação protestante fundada em 06 de junho ano de 1844, na cidade de Londres, capital da Inglaterra, por George Williams com o objetivo de oferecer aos jovens que chegavam a Londres para trabalhar a prática de princípios cristãos através de estudos bíblicos e orações.

Além disso, esta instituição tinha o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos operários, frente à Revolução Industrial, que trazia condições de vida precárias, jornadas de trabalho extenuantes e não existiam opções de lazer.

No ano de 1841, George Williams decide ir a Londres e consegue um emprego na loja de tecidos Hitchcok & Rogers, nessa loja, encontrou outros 140 funcionários que tinham uma história de vida muito parecida com a sua: jovens, pobres, vindos do campo para a cidade em busca de emprego e sem opções de diversão, educação, etc.

Essa situação levou George Williams a refletir sobre o desenvolvimento sadio de pessoas que viviam expostas a tais condições. Ainda que fosse comum a degeneração dos princípios por parte das pessoas. Aproveitando a crescente importância que o grupo obtinha junto às casas comerciais londrinas, George Williams, lutou pela melhoria das condições de trabalho, conseguindo uma razoável redução da carga horária de trabalho. A proposta da ACM era incomum à época, pois permitia a inclusão de qualquer homem, independentemente de raça, religião ou nacionalidade.

Em 1845, a ACM já possuía uma sede própria em Londres, com um local atraente e um secretário profissional, T. H. Tarlton, para organizar a sede e promover uma série de programas que iam dos estudos bíblicos e aulas de línguas estrangeiras até sala de banhos e início de atividades de Educação Física. Em 1849, foi necessário conseguir um local mais amplo, onde se organizou uma biblioteca, sala de leitura e salas de aulas e eram ministardos cursos para os empregados associados.

Quando, em 1850, houve em Londres a Grande Exposição Mundial da Indústria, da qual participaram pessoas de todo o mundo, a ACM organizou um plano de atividades espirituais e culturais para os visitantes. Foram organizados 550 reuniões públicas para jovens e um grande número de conferências sobre tópicos religiosos, no Exeter Hall. Também foram distribuídos aos participantes 362.000 folhetos explicativos sobre o trabalho da instituição.

Em 1851, quando a ACM chegou aos Estados Unidos, os jovens ganharam um incentivo ainda maior, já que a instituição uniu os benefícios da prática esportiva ao desenvolvimento de valores do caráter e do espírito.

Em agosto de 1855, resolveu-se realizar a Primeira Conferência Mundial, dela participaram as ACM da Inglaterra, Holanda, Estados Unidos, França, Canadá, Bélgica e Alemanha. Durante o encontro, precisamente no dia 22 de agosto, é aprovada a Base de Paris, linha filosófica das ACM em todo o mundo.
As Associações Cristãs de Moços têm por fim reunir num grêmio cristão os moços que, crendo em Jesus Cristo como seu Deus e único Salvador, segundo as Sagradas Escrituras, queiram ser seus discípulos em sua fé e em suas obras, e desejem associar seus esforços, na extensão de seu reino entre a mocidade. (BASE DE PARIS, 1855).
Os 30 anos seguintes foram de grande importância para a expansão e consolidação do movimento acemista pelo mundo. Principalmente nos Estados Unidos, esse movimento tormou força, ocasionando uma grande difusão neste país, que depois se espalhou por todo o Continente Americano.

Em 1885, J. Gardner Smith, da ACM de Nova Iorque, inicia o Corpo de Líderes para jovens do Departamento de Educação Física. Em 1891, o professor James Naismith, instrutor da ACM Springfield College, inventou o Basquetebol para ser praticado como esporte de inverno. No ano de 1892, Naismith publica pela primeira vez as regras oficiais do esporte.

O ano seguinte marca a chegada da Associação Cristã de Moços no Brasil, de acordo com Marinho (1977, p. 61), [...] “A primeira Associação Cristã de Moços instaladas no Brasil, data de 1893, quando foi fundada a do Rio de Janeiro, com orientação norte-americana, primeiro núcleo de calistenia no país”.

A Associação Cristã de Moços- Rio de Janeiro, a primeira ACM da América Latina, foi fundada no dia quatro de julho de 1893 na cidade do Rio de Janeiro, no prédio da Sociedade Bíblica Americana, pelo Missionário Myron Clark, ex-assistente do Secretário Geral da ACM de Kansas City, que aqui veio afim de fundar uma unidade do Brasil.

Funda-se ainda, nesse ano, a ‘Associação Cristã de Moços’, no Rio de Janeiro, com orientação norte-maericana, à qual muito se deve em matéria de Educação Física. Teve a A. C. M. papel saliente no desenvolvimento de vários desportos, notadamante o basquetebol e o volibol (MARINHO, 1952, p. 17).
Concordo com Marinho sobre a importância que a ACM teve na disseminação dos esportes no Brasil e no mundo, pois a instituição se espalhou rapidamente pelo mundo e hoje se encontra instalada em todos os continentes do globo.

Em 1895, William Morgan, diretor do Departamento de Educação Física da ACM Holyoke, Massachussetts, cria o Voleibol, que teve o objetivo inicial de servir de exercício recreativo para desportistas, ou seja, uma ACM norte-americana criou este esporte que teve seu primeiro torneio organizado no Brasil na cidade de Recife, Pernambuco.

Em 1907, esse grupo recebeu o Sr. John H. Warner e junto aos 25 membros organizou reuniões aonde houve uma expansão dos sócios e em 19 de novembro deste mesmo ano foi fundada a Associção Cristã de Moços- Recife, com um total de 198 sócios, na Rua Marqûes do Herval, n.º 66, na cidade de Recife, Pernambuco

Há indícios de que a Igreja Evangélica de Pernambuco de que trata a ata de reunião/ fundação da ACM Recife seja a Primeira Igreja Batista, localizada na Rua Formosa nº. 21 pelo fato que o Pastor Salomão L. Ginsburg ser um dos fundadores da instituição.

De acordo com Every-Clayton (2004), o Pastor Ginsburg pertencia anteriormente à Igreja Congregacional de Pernambuco, que era conhecida como Igreja Evangélica de Pernambuco e depois foi convertido à denominação Batista. Por esse motivo, o documento se refere a essa denominação.

Uma curiosidade sobre os membros desse “Grupo Aspirante”, é que o mesmo era contituído por homens religiosos e influentes do cenário recifense, por exemplo podemos citar o Sr. W. Canadá, fundador do Colégio Americano Batista do Recife e o Dr. Alfredo Freyre, Juiz de Direito, professor da Faculdade de Direito de Recife e que posteriormente se tornou diretor deste Colégio e pai do sociólogo Gilberto Freyre, bem como membros da cúpula da igreja evangélica, como por exemplo o Reverendos Jeronymo de Oliveira e Salomão L. Guinsburg, este último organizador do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil com sede na cidade de Recife em 1907.

O Colégio Americano Batista (CAB), anteriormente denominado de Colégio Americano Girealth, tinnha uma relação estreita com a ACM Recife, pois alguns de seus diretores faziam parte de ambas instituições, bem como pelo fato de que o CAB ser a primeira Escola a ter uma equipe de voleibol no Estado de Pernambuco.

O Colégio Americano Batista (CAB), anteriormente denomidao de Colégio Americano Girealth, tinnha uma relação estreita com a ACM Recife, pois alguns de seus diretores faziam parte de ambas instituições, bem como pelo fato de que o CAB ser a primeira Escola a ter uma equipe de voleibol no Estado de Pernambuco.

O “Grupo Aspirante” a ACM, do qual faziam parte integrantes de várias igrejas evangélicas, que através do jornal evangélico “O Christão” ficaram sabendo de notícias sobre a instituição e neles foi despertado o interesse pela mesma. Há indícios de que a religião era um componente muito presente na cidade de Recife nesta época, pois a presença de um jornal especificamente evangélico demonstra a importância da Igreja no cenário social.

As reuniões e discussões deste grupo em formação, que tinha como tema estudos bíblicos e ciclos de oração, aconteciam na Igreja Evangélica de Pernambuco, pois o Sr. Ulysses de Mello, líder daquele grupo era membro da referida igreja. Isto indica uma aproximação da igreja à ACM Recife devido a seus ideais pautados na religião como um dos fundamantos de sua ação missionária e evangelizadora.

Outro ponto de relevância é o fato de membros da da Federação Brasileiras da ACM deslocarem-se do Rio de Janeiro até aqu para a consolidação da unidade da cidade de Recife. Isto aponta uma intenção de expansão de seus trabalhos e um alargamento de seu alcance a nivel nacional, ou seja, estava cumprindo a sua missão de levar os fundamentos cristãos ao maior contingente de pessoas que lhe fosse possível.

A ACM se constituía como um configuração, onde ocorriam várias relações de interdependência e que essas relações se davam não somente dentro desta instituição como também nos ciclos de pessoas extramuros, pois os seus membros na sociedade em que viviam circulavam em outros espaços sociais, assim sendo devemos considerar a ACM em constante movimento e dentro de uma rede interligada, ou seja, esta instituição era o reflexo da alta sociedade em sua época.

A busca dos membros, no sentido da constituição de uma ACM em Recife, pelo fato de seus feitos e visibilidade indica um certo grau de alienação, ou seja, uma consciência crítica acerca de sua condição como membros da elite recifense no período em questão. Uma instituição como esta, de cunho religioso, exigia que seus membros tivessem um alto grau de autocontrole para garantir que as normas fossem respeitadas.

Tendo a Educação Física, especificamente o esporte como elemento de suas atividades, a ACM oprtunizava a seus membros a experimentação de uma prática altamente regulamentada e assim sendo servia como um elemento de distinção social pois participar delas demendava um alto grau de controle interno, de controle das emoções.

Em certa medida, a educação religiosa através da ação missionária e o esporte serviam como um elementos que contribuíam para este controle interno e assim sendo ajudavam a moldar um cidadão mais controlado e educado, atitudes essas necessárias ao novo padrão que a cidade de Recife necesitava em seu processo de modernização.

Sobre os preceitos que balisavam a ACM Recife temos:


Os seus fins são os consignados na Base de Paris, nos seguintes termos: ‘As Associações Christãs de Moços têm por fim reunir num grêmio christão os moços que, crendo em Jesus Chisto como seu Deus e único Salvador, segundo as Sagradas Escripturas, queiram ser seus discípulos em sua fé e em suas obras, e desejem associar seus esforços, com o auxílio o Espírito Santo, na extensão do reino de seu Mestre entre a mocidade, promovendo o seu bem estar physico, intellectual, social e religioso’. (ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO CHRSTÃ DE MOÇOS DE PERNAMBUCO, 1912, p. 03).
A ACM Recife tinha como objetivo o bem estar físico, intelectual, social e religiosos de seus sócios, que poderiam ser de duas categorias: os ativos e os auxiliares. Para ser sócio ativo era necessário ser maior de 17 anos, e ser membro de uma igreja evangélica enquanto para ser um sócio auxiliar era necessário ser maior de 17 anos e ter boa moral, não necessitando ser membro de uma igreja evangélica, porém só poderiam ser eleitos para diretoria da associação os sócios ativos.

Além das reuniões religiosas, havia também as atividades culturais através das organizações dentro da própria ACM como Mocidade Acadêmica, o Departamento Religioso, Departamento Missionário e o Departamento Físico, o qual era responsável pela prática da Educação Física através das sessões de ginástica e de esportes como o voleibol e o beisebol, inclusive há registros de que o primeiro torneio organizado de voleibol aconteceu na ACM Recfe na década de 1910.


A ACM de Recife- PE, (‘40 do Caes do Capibaribe’), relata a organização do primeiro torneio de que se tem notícia no Brasil e das regras que deveriam ser utilizadas, segundo tradução do “Guia Official Athletica e Internacional”. (O programa para o evento foi impresso pela Typografia a Vapor – J. Agostinho Bezerra). Ainda nos anos de 1910 pode-se destacar o registro da prática do Voleibol no Colégio Marista de Recife-PE, e na ACM de São Paulo-SP. (DACOSTA, 2006, p.66)
O fato de um torneio esportivo de uma determinada modalidade indica que já existia uma prática sistemática do mesmo na instituição, bem com o desenvolvimento desta prática desportiva na cidade, ou seja, a prática já estava estabelecida, pois além de sua prática existia a instituição de regras o desenvolvimento da mesma.

Outra informação importante é que a Educação Física, nas escolas de recife, tinha como foco principal a prática da ginástica, enquanto na ACM existia uma diversidade de práticas corporais. Pois além da ginástica e esportes como o voleibol, faziam parte das atividades realizadas pelos seus membros.

A prática da Educação Física era realizada em configurações sociais como escolas e associações e existiam critérios para que os indivíduos pudessem pertencer às mesmas como, por exemplo, ter boa moral ou ser pertencente a determinado grupo social. Essas entidades em suas práticas exigiam que os seus componentes seguissem normas de comportamento padronizadas.

No ano de 1910 é realizada uma campanha para arrecadar fundos para a manutenção da instituição, e que com o produto da mesma são compradas [...] “Entre as cousas comparadas com este dinheiro figuram: [...] 24 armários individuaes de aço para rouas de gymnastica, apparelhos completos de BASE-BALL e VOLLEY-BALL” [..], conforme RELATÓRIO DA ACM-RECIFE (1910, p. 03).

Esse fato indica a prática dos esporte como fato corriqueiro nesta instituição, bem como a influência americana nas práticas esportivas, pois o baseball é um esporte tipicamente americano. Bem como apontam para a incorporação de atitudes cada vez mais controladas rumo à “civilidade” de seus componentes.

ALGUMAS REFLEXÕES
Este trabalho se configura como o início do estudo sobre a prática da Educação Física na Associação Cristã de Moços de Pernambuco, instituição que no Brasil, assim como no mundo é referência em relação à Educação Física e Esportes e visa criar subsídios para futuras pesquisas sobre esta temática, pois há uma escassez de material escrito com essa abordagem.

A partir das pesquisas sobre a História da Educação Física e Esportes na cidade de Recife, esperamos contribuir para uma melhor compreensão da mesma tendo como ponto de vista as relações presentes em suas instituições e os elementos presentes em sua cultura.

Esse texto nos traz algumas questões que necessitam ser refletidas e compartilhadas para, a partir delas continuar a busca pela ”verdade”, mesmo que momentânea sobre de forma o esporte, como elemento da Educação Física se constitui como um elemento de status para a classe dominante.

Outra questão que merece a reflexão é de que modo essa prática serve à ideia de modernidade, sendo incorporada ao modelo social brasileiro como elemento da cultura trazida por estrangeiros ou mesmo por regressos, atendendo ao modo de viver das sociedades “civilizadas”.

A prática do esporte chega como um diferencial junto às Escolas de Recife no início do século XX, que utilizavam prioritariamente a ginástica como conteúdo das aulas, bem como convergem com o processo de modernização pelo qual a cidade estava passando.

Este texto é apenas uma pequena contribuição de um esforço que vem sendo realizado pelo Centro de Memória da Educação Física e do Esporte no Nordeste para resgatar a memória das práticas de Educação Física, Esporte e Lazer em nossa região tão carente de produções.




REFERÊNCIAS -
LIVROS
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ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L. Os estabelecidos e os outsiders. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.

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