3 Atividade orientada



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3) Atividade orientada

LISTA DE EXERCÍCIOS N.02

De acordo com Cardoso (2009, p. 45), podemos reconhecer os fonemas de uma língua por meio do teste de comutação:

Comutação é a troca de um fonema por outro em um vocábulo. É pelo teste de comutação que se depreendem os fonemas de uma língua. Fazemos um teste de comutação quando alteramos o significante em um único ponto e verificamos se há alteração de significado. Por exemplo, par ≠ bar; pato ≠ bato; pote ≠ bote (...).

1- Utilizando os símbolos do alfabeto fonético (página 66 e 67 do material didático), identifique, nos pares mínimos abaixo, os fonemas da língua portuguesa:

assar ≠ azar = /s/ e /z/


  1. sono ≠ sonho =

  2. bola ≠ cola =

  3. melhor ≠ menor =

  4. caro ≠ quero =

  5. seda ≠ cedo =

  6. carro ≠ caro =

  7. cinco ≠ zinco =

  8. cana ≠ gana =

  9. manha ≠ mama =

  10. vela ≠ velha =

  11. era ≠ ira =

2- Da página 53 à 56 do material didático, vemos que a autora explica o conceito de alofone, apresentando dois exemplos, a saber:

  1. Os fones [t] e [tʃ] pertencem a um mesmo fonema, o /t/, quando produzido antes de [i] ou de [] em algumas variedades linguísticas do Português Brasileiro (PB);

  2. Os fones [a] e [ã] pertencem ao mesmo fonema /a/, quando em posição pretônica: se eu disser “bana” ou “bãna”, estou querendo dizer apenas “banana”, ou seja, não há alteração no significado. Diferentemente de “manha” e “manhã”, em que há alteração de significado de palavras.

Todavia, há mais exemplos de alofonia que vocês devem conhecer. Vejamos:

  1. Os fones [] e [ʒ] pertencem ao mesmo fonema //;

  2. Os fones [a] e [ɑ] pertencem ao mesmo fonema /a/: diga “faca”, “casa” e “massa”, perceba como é maior a abertura da cavidade oral durante a pronúncia da vogal da sílaba tônica em relação à abertura da cavidade oral na pronúncia da sílaba átona, ou seja, o primeiro é um “a” forte ([a])e o segundo é um “a” fraco ([ɑ]), mas todos são um único fonema /a/.

Da página 56 em diante, a autora discorre sobre o conceito de neutralização, apresentando exemplos de variação entre os róticos, os “erres”. Perceba que o assunto passa a ser “neutralização”, porém isso não quer dizer que a variação entre os róticos não seja também um caso de alofonia. Vejamos as possíveis pronúncias da palavra “porta” no PB:

[pɔɾtɑ] – falar paulistano, dentre outros

[pɔɻtɑ] – falar caipira

[pɔʀtɑ] – falar carioca

[pɔhtɑ] – falar mineiro

Veja que não há alteração de significado na palavra... é sempre “porta”. Mas isso só ocorre, quando o rótico aparece em final de sílaba ou final de palavra, porque, se pronunciarmos [ɾ] ou [ʀ] entre as vogais do segmento [ka____], teremos então duas palavras distintas: [kaɾ] “caro” e [kaʀ] “carro”.

Após esta “breve” introdução, utilize os símbolos do alfabeto fonético, para identificar, nas palavras abaixo, as possíveis ocorrências de alofones:


  1. tinta =

  2. tendão =

  3. atum =

  4. muito =

  5. dado =

  6. ditado =

  7. corda =

  8. torto =

  9. mar =

  10. engasgado =

  11. cascalho =

3- Para quem vai atuar como professor de Língua Portuguesa no Ensino Básico (EF e EM), é muito importante compreender a neutralização que ocorre entre as vogais do PB, porque esse fenômeno da fala tem seus efeitos sobre a aquisição e o desenvolvimento da escrita. Vejamos:

Examinando as vogais anteriores do português, por exemplo, verificamos que embora haja distinção entre [e, i], como em vê-la e vila, esse contraste não existe em sílaba átona final. Assim, não é possível haver distinção de significado entre [ʃavi, ʃave]. (Paulo Chagas & Raquel Santana Santos. Fonologia. In: FIORIN, J.L. Introdução à Linguística. São Paulo: Contexto, 2003, p.41).

O mesmo ocorre com as vogais posteriores [o, u], em que palavras como “ovo”, “surdo” e “bolo” são pronunciadas como “ovu”, “surdu” e “bolu”. Para perceber o que ocorre com a cavidade oral, consulte o triângulo vocálico disposto na página 123 do material didático. Será que encontramos aí uma possível explicação para que nossos alunos escrevam “patu” ou “tumati”?

O resultado dessa neutralização entre dois fones não é o fonema, mas sim o arquifonema:



  • Entre [e, i], temos o arquifonema /I/.

  • Entre [o, u], temos o arquifonema /Ʊ/.

No que diz respeito aos arquifonemas consonantais, atente para o que diz a Professora Denise Porto Cardoso, no material didático:

As palavras carro e caro se distinguem pela oposição entre a vibrante múltipla // e a vibrante simples //. Já em rio, ramo, rede só empregamos a vibrante múltipla, e em bravo, prêmio, frevo usamos apenas a vibrante simples. Esses exemplos mostram que somente entre vogais existe oposição entre a vibrante simples - caro - e a vibrante múltipla - carro. Nas outras posições, a oposição // =/= // fica neutralizada (Cardoso, 2009, p.56).

► O resultado dessa neutralização entre os 2 fones é o arquifonema vibrante /R/.

Existem quatro fonemas /s/, /z/, /ʃ/, /Ʒ/ como podemos comprovar em assa, asa, acha, haja. No entanto, quando esses fonemas ocorrem em final de sílaba ou de palavra, acontece a possibilidade de neutralização. Assim a pronúncia do último fonema de feliz poderá variar bastante devido à consoante final: [feˈlis], [feˈliz], [feˈliʃ], [feˈliƷ] mas, qualquer que seja a escolha do falante, ela sempre recairá sobre um desses quatro sons que são fonemas em português (Cardoso, 2009, p.57).

► O resultado dessa neutralização entre os 4 fones é o arquifonema sibilante /S/.

Após essas observações, pratique a transcrição fonética e identifique, nas palavras abaixo, as possíveis ocorrências de arquifonemas:

rio = [, i] = /R/

a) martelo =

b) mesmo =



Divirtam-se!

Professor Eduardo Piris.




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