2. trabalhos relevantes sobre o comunitarismo



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ÍNDICE


1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 5

2. TRABALHOS RELEVANTES SOBRE O COMUNITARISMO .......................... 7

3. CARACTERÍSTICAS DO TERRITÓRIO .............................................................. 9

3.1 Geografia e ambiente ......................................................................................... 9

3.2 População ........................................................................................................... 9

4. COMUNITARISMO ................................................................................................ 11

4.1 Origens históricas do comunitarismo ................................................................. 12

4.2 Os baldios .......................................................................................................... 13

4.3 A vezeira ........................................................................................................... 15

4.4 Sistema de rega .................................................................................................. 16

4.5 Equipamentos comunitários ............................................................................... 16

4.6 Cooperação no trabalho ..................................................................................... 17

5. MANIFESTAÇÕES COMUNITÁRIAS EM FAFIÃO .......................................... 19

5.1 Gestão dos baldios ............................................................................................ 19

5.2 A vezeira ........................................................................................................... 20

5.2.1 A vezeira da rês ....................................................................................... 21

5.2.2 A vezeira das vacas ................................................................................. 21

5.3 Lagar de azeite comunitário .............................................................................. 28

5.4 Sistema de rega ................................................................................................. 29

5.5 A Festa do Santo ............................................................................................... 30

5.6 O futuro ............................................................................................................. 31

6. Conclusão ......................................................................................................... 33



Bibliografia.......................................................................................................... 34

ANEXOS ..................................................................................................................... 36


  1. Introdução


Este trabalho propõe descrever e analisar as tradições e costumes comunitários actualmente existentes na aldeia de Fafião, situada na região do Barroso, no Norte de Portugal. O estudo vem na sequência da minha estadia nesta aldeia durante alguns períodos no Verão de 2004, em que tive a oportunidade e o privilégio de observar e participar em algumas destas actividades.

Grande parte da informação para este trabalho foi obtida através de contactos informais com habitantes da aldeia, com responsáveis do Ecomuseu do Barroso e com outras personalidades relevantes da região. O trabalho apoia-se em diversa bibliografia sobre este tema.

Sendo obviamente impossível cobrir todos os aspectos histórico-sociais e culturais do tema do comunitarismo, decidi focar o aspecto das tradições sobreviventes na actualidade. O foco fundamental deste trabalho é então a descrição das actividades comunitárias desta aldeia, analisando a relevância das mesmas no meio rural moderno, perspectivando o futuro destas tradições num contexto de desenvolvimento rural sustentado.

Em primeiro lugar será apresentada uma revisão bibliográfica sobre o tema, apresentando alguns dos trabalhos mais relevantes publicados sobre a vida comunitária no Norte de Portugal.

A segunda secção deste trabalho apresentará as características gerais do território, procurando enquadrar o fenómeno da vida comunitária nas condições ambientais e geográficas da região. Farei também um pequeno resumo da história da região, incidindo sobretudo nas grandes mudanças ocorridas a partir do século XIX.

O capítulo seguinte dedica-se ao comunitarismo – às origens históricas e ás suas várias manifestações.

A quarta parte do trabalho descreve a aldeia de Fafião e as tradições comunitárias que gestão actualmente sobrevivem. Referirei alguns dos aspectos que me parecem mais relevantes: aactividade da vezeira, a gestão dos terrenos baldios, a utilização do lagar comunitário, a da água e do sistema de rega e a organização da Festa de Santiago. Para cada um destes temas, será feito um pequeno resumo da história e do enquadramento legal destas actividades, bem assim como de questões que se põem nos dias de hoje.

Finalmente serão apresentadas as conclusões relevantes e feita uma análise numa perspectiva do presente e da projecção para o futuro.



2. Trabalhos relevantes sobre o comunitarismo


A curiosidade pelas formas da vida comunitária no Norte de Portugal, desconhecidas na parte centro-sul do país, acentua-se nos finais do século XIX.

Leite de Vasconcellos, um pioneiro de muitas áreas de estudo, designou o sistema de vida dos povos do Gerês como uma organização democrática e igualitária, espontânea, equiparável a um „comunismo“ primitivo (VASCONCELLOS, 1987).

Em seguida, nos princípios do século XX podemos destacar outros nomes: Rocha Peixoto e Tude de Sousa. O primeiro deles no seu ensaio descritivo „Formas do regime comunalista em Portugal“ estuda as possíveis origens deste modo de vida e estabelece paralelos com outras sociedades actuais e do passado remoto (PEIXOTO, 1905) .

Tude de Sousa, um técnico florestal interessado-se pela vida e psicologia dos povos serranos apresentou as suas investigações no artigo „Regimen Pastoril dos Povos da Serra do Gerez“ –uma importante contribuição às práticas comunitárias. Apesar de não ser muito científica, é baseada na observação participante, um dos instrumentos mais importantes da pesquisa antropológica (SOUSA, 1908).

Posteriormente, foi Orlando Ribeiro, geógrafo, relacionando ambiente geográfico com as condições sociais e económicas, e sobretudo António Jorge Dias, um dos maiores antropólogos do país, que dedicaram a atenção a este assunto.

J. Dias ocupava-se profundamente do problema histórico e etnográfico do comunitarismo agro-pastoril, definindo-o da seguinte forma:

Por comunitarismo eu entendo um tipo de organização social em que os direitos individuais são regulados em função da propriedade colectiva tradicional que serve de base às suas economias. Esta organização complexa regula a actividade individual não só em relação à propriedade colectiva, mas também em relação à propriedade colectiva individual. A vida social é considerada como um todo no qual o bem comum é colocado acima dos interesses individuais. Embora nas sociedades comunitaristas possa cada família ter a sua propriedade, é a propriedade colectiva que predomina. Todas as famílias submetem-se por mútuo consentimento às condições impostas pelo conselho local“ (cit. por POLLANAH, 1985:63).

Jorge Dias é o autor da monografia sobre Vilarinho da Furna, uma aldeia do Gerês, em que salienta o factor da topografia do existente sistema comunitário e defende a tese das remotas origens das práticas de trabalho colectivo, numa base de perfeita reciprocidade e igualdade entre todos os membros. No entanto, o autor publicou uma ainda mais significativa e detalhada monografia sobre uma pequena aldeia fronteiriça em Trás-os-Montes: “Rio de Onor: Comunitarismo Agro-pastoril”.

A monografia sobre a aldeia de Rio de Onor, influenciada pelo método funcionalista, teve um grande impacto quer noutros estudiosos quer nos próprios habitantes. Rio de Onor tornou-se um certo arquétipo de igualitarismo rural e uma espécie de exotismo e perfeição camponeses.

Passadas algumas décadas, o antropólogo contemporâneo Joaquim Pais Brito interessou-se também por esta aldeia. No seu trabalho “Retrato de aldeia com espelho” (BRITO, 1996), agora com a preocupação mais analítica e crítica, tenta abordar a especificidade desta aldeia, em que, entretanto, ocorreram muitas mudanças.

Da obra do etnólogo amador padre Lourenço Fontes podemos obter informações sobre vários aspectos etnográficos do Barroso. O seu contributo mais significativo é o livro “Etnografia Transmontana II – Comunitarismo do Barroso” em que apresenta a zona, descreve a formação de aldeias, as manifestações comunitárias da região (colectivismo agro-pastoril e reciprocidade de serviços) e os ofícios tradicionais (FONTES, 1977).

Mais recentemente têm aparecido autores a contestarem o pretenso igualitarismo nas relações sociais das comunidades ibéricas, lançando uma nova discussão.

O antropólogo Brian O´Neill é um representante da corrente da Antropologia Social. Baseia os seus estudos no trabalho do campo, interligando-o com o material histórico dos arquivos locais. Põe em causa o sistema de relações igualitárias das comunidades ibéricas. Assim, no seu livro „Proprietários, lavradores e jornaleiros“, ocupa-se das distinções sociais numa aldeia transmotana, focando na investigação três áreas principais da vida social: a posse da terra, o trabalho cooperativo e as formas de casamento e herança. Como resultado surge aqui uma hierarquia de quatro grupos sociais distintos e, para além disso, a maioria dos informadores não hesitou em confimar uma presente desigualdade (O´NEILL,1984).



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