1997, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná



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1997, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.



Associação Brasileira de Odontologia/Seção Paraná

Este Manual foi elaborado para o Projeto “Protegendo a Vida”


Rua Engenheiros Rebouças, 1707 Curitiba Paraná CEP 80230-040

Fone: (041) 333-3434 fax (041) 333-4432

Apoio:

Secretaria da Criança e Assuntos da Família/Programa Estadual de Atenção ao Idoso/PR



Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia/PR

Associação Nacional de Gerontologia/PR


Autores: Fanny Jitomirski e Sara Jitomirski (Cirurgias-dentistas)

Impresso no Brasil/Printed in Brazil

Execução Gráfica: COPYGRAF

2ª Reimpressão – 1998

Ficha catalográfica



Paraná. Secretaria de Estado da Saúde

Associação Brasileira de Odontologia?PR

Autores: Fanny Jitomirski e Sara Jitomirski

O que os Cuidadores de Idosos precisam saber sobre a Saúde Bucal,

Curitiba, 1998.20p ilust.





Envelhecer sem ficar velho, sem ser descartado dentre os nossos semelhantes. Este é o objetivo maior de uma vida plena.
Como cidadão cada um tem o direito ao desfrute pleno de sua existência, todavia nem sempre o alcança, se não houver cuidadores capazes de oferecer carinho e apoio. Este manual se dirige aos Cuidadores de idosos dependentes. Tem como princípio estimular a promoção e a manutenção da saúde, senão a reparação da doença, se necessária. A boca, por onde demos nossos primeiros sinais de vida ao nascer, por onde ingerimos nossos alimentos e por onde emitimos as palavras e nomes de toda a existência, deve ser objeto de atenção permanente.
Desejo que este esforço seja compartilhado pelos participantes desta empreitada de proteger a vida, para que todos alcancem desfruta-la plenamente, podendo sempre Expressa-la em um sorriso cheio de dignidade e amor.

Armando Raggio

Secretário de Saúde do Estado do Paraná

A promoção e manutenção da saúde bucal do idoso é um desafio para a Odontologia na próxima década. Ela não dependerá apenas da formação adequada de odontólogos capazes de entender as necessidades deste novo segmento, mas sim de Cuidadores de idosos dependentes bem informados, cuja importante tarefa será a de oferecer a atenção permanente necessária. Por isso, este manual não poderia surgir em momento mais oportuno do que este.


Léo Kriger


Coordenador da Política de Saúde Bucal

da Secretaria de Saúde do Paraná


Há alguns anos a Odontologia vem sentido e trabalhando a necessidade de melhorar a saúde bucal da população idosa. No Paraná essa população é de 300.000 indivíduos e no Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos é de 11 milhões. A Associação Brasileira de Odontologia/Seção Paraná, em atenção a esse número estatisticamente comprovado traça metas de trabalho para o atendimento do maior número possível de pacientes idosos. No ano 2000, 75% das pessoas com mais de 65 anos estarão vivendo no terceiro mundo. Torna-se evidente a necessidade de aprimoramento no estudo do processo do envelhecimento.
Baseando-se na realidade atual, pretendemos incrementar o estudo da prática da geriatria odontológica, procuramos, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde estimular o desenvolvimento de ações voltadas à manutenção da saúde bucal do idoso, bem como estudar soluções adequadas para problemas bucais de pacientes geriátricos.
Estou certo de que com este manual estaremos desmitificando a manutenção da saúde bucal do idoso e acabando com certos estereótipos. Mostramos que procedimentos de extrema simplicidade executados pelos cuidadores de idosos ou por eles próprios serão responsáveis pela manutenção de uma adequada saúde bucal. Não há dúvida de que uma boca saudável é fundamental para uma boa qualidade de vida.

Edson Milani de Holanda

Presidente da Associação Brasileira de Odontologia – Seção Paraná

INTRODUÇÃO
O desapontamento de ver os pacientes idosos, especialmente os dependentes, voltando com os mesmos problemas que já haviam sido resolvidos em consultas anteriores, foi o marco para tentar acabar com esse eterno enxugar gelo e inverter o modelo de atuação odontológica.
A preocupação em resolver os problemas já instalados na boca de nossos pacientes idosos foi substituída por uma forma diferente de ver e atuar, onde a ênfase é a promoção da saúde bucal dos mesmos. Sabe-se que a saúde bucal é relegada a um plano secundário em idosos, especialmente os dependentes, porque eles já carregam o estereótipo de pessoas vagarosas, que não vêem nem escutam bem, e que têm dificuldades de lembrar a seguir instruções.
A boca é geralmente o espelho que mostra, na velhice, quanto cuidado uma pessoa é capaz de tomar com sua saúde e aparência.
Geralmente é esperado que com o avanço dos anos o idoso apresente desconforto e perda da capacidade, e isso pode leva-lo a não dar importância a certos sintomas, que poderão também provocar diagnósticos tardios de diversos problemas.
Minimizar estes problemas, envolvendo os Cuidadores de Idosos mais o fundo nesta questão é o objetivo deste manual, cuja elaboração é incentivo dos Geriatras e Gerontólogos Dr. Gilmar Calixto, Dr. Maurílio Pinto, Ana Lucia Pinto, Shirley F. Scremin, Ivete Prosdócimo e Dr. João Batista de Lima Fº. . Agradecimentos especiais devem ser feitos à Dra. Simone Moyses, minha orietadora em todas as horas e ao Dr. Mestre Leo Kriger, Dra. Zita C. Machado, Dra. Laís Amarante, Dr. Nelson Guerchon e Clara Guelman pelo valioso apoio dado.
Esperamos com este manual oferecer algumas orientações básicas de Saúde Bucal aos Cuidadores de Idosos.

As autoras


Dra. Fanny Jitomirski e Dra. Sara Jitomirski

Cirurgias-Dentistas
CUIDADORES DE IDOSOS:

O QUE PRECISAM SABER SOBRE A SAÚDE BUCAL?
Os pacientes que moram em Instituições e também seus familiares acreditam que os cuidados com a saúde, incluindo-se entre estes o cuidado da boca e dos dentes, deverá ser de responsabilidade da Instituição. Mas isto pode se tornar difícil se o paciente não consegue explicar se há alguma coisa errada com seus dentes, ou se ele não quer realizar o tratamento odontológico por medo.
Os idosos e seus familiares às vezes desconhecem que o tratamento dentário pode ser realizado sem dor, pois muitos têm histórias passadas de visita ao dentista só em casos de dor, ou quando tiveram problemas com dentaduras ou outro tipo de prótese.
Também deverá ser mudado o conceito de que é natural que pessoas idosas não tenham dentes, ou de que eles não se queixam de dor ou desconforto provenientes de seus dentes ou dentaduras porque pensam que isto é decorrente do processo de envelhecimento, e assim deve ser aceito.
Mas isso não é verdade, pois na boca da pessoa idosa acontecem mudanças que requerem cuidados contínuos, que podem ser simples ou mais complexos, e mesmo que a saúde bucal do idoso tenha sido negligenciada, há necessidade de melhorar a situação atual para prevenir futuros problemas.
Assim, as estruturas bucais (gengiva, língua e mucosa da boca), dentes naturais e próteses deverão ser examinadas regularmente.
Explicações dos CUIDADORES DE IDOSOS e do Corpo Assistencial Específico da parte odontológica são imprescindíveis para aliviar os temores dos pacientes, permitindo assim a realização do tratamento adequado, seja este preventivo ou curativo.
É essencial que os CUIDADORES, os idosos e seus familiares tenham uma visão positiva e que acreditem que
TER UMA BOCA EM BOAS CONDIÇÕES É MUITO IMPORTANTE PARA PODER DSFRUTAR DE UMA VIDA MAIS AGRADÁVEL”.
É importante que os CUIDADORES DE IDOSOS consultem sempre uma cópia da ficha que foi preenchida pelo dentista responsável que realizou o exame quando o idoso entrou na Instituição.
SUGESTÃO PARA MODELO DE FICHA ODONTOLÓGICA DE INFORMAÇÕES DA SAÚDE BUCAL PARA CONSTAR

NA FICHA GERAL DO PACIENTE
Informações Dentárias:

a) Usa próteses totais (dentaduras) -

Sim [ ]

Não [ ]

b) Se fizer uso, quantas -

1 [ ]

2 [ ]

c) Superior ou inferior -

Superior [ ]

Inferior [ ]

d) Usa pontes movéis -

Sim [ ]

Não [ ]

e) Se tiver, quantas -

nº [ ]




f) Têm condições de escovar os dentes sozinho? -

Sim [ ]

Não [ ]

Tem problemas de locomoção -

Sim [ ]

Não [ ]

Medicamentos que toma: ____________________________


Tomar Conhecimento: É muito importante tomar conhecimento da situação geral do paciente idoso. Saber o que acontece na boca deles significa que se existem problemas e eles são reconhecidos, será possível que soluções adequadas sejam tomadas.
Observar é importante: Os CUIDADORES de idosos devem ser observadores e compreender que os problemas que se apresentam, se forem ignorados, podem conduzir à dor ou complicações mais sérias... Se o paciente consegue explicar ao CUIDADOR o que está incomodando na sua boca, tanto melhor, mas muitos não se queixam tentando evitar o tratamento por medo ou por não saber explicar o que estão sentindo. Por isso é muito importante que os CUIDADORES observem se aparecerem alguns dos sinais que enumeraremos a seguir:
Dificuldades para:

  1. Comer

A)Não sorrir

  1. Falar pouco

  2. Comer só alimentos muito moles.

Todas estas situações podem ter como causa a dor nos dentes naturais com alimentos ou bebidas frias ou quentes por raízes expostas, feridas na língua ou noutra região da boca, abscessos e próteses que machucam ou estão frouxas.


Alterações na Mucosa Bucal: Como feridas, lesões brancas, etc, deverão ser examinadas pelo dentista, para diagnóstico e tratamento adequado.
Gengivas que Sangrem: Se o sangramento é leve, com uma boa escovação e pastas adequadas que removam a placa bacteriana, poderá ser obtida uma melhora, mas se isso não ocorrer em 2 ou 3 semanas, o dentista deverá ser consultado.
A PALAVRA DE ORDEM É VIGIAR E PREVENIR


PROBLEMAS QUE APARECEM COM MAIOR FREQÜÊNCIA

(O dentista deverá ser consultado)




1) Doença Periodontal

A maior causa de perda de dentes em idoso é a doença periodontal (piorréia). Acontece pelo acúmulo de placa bacteriana e cálculo (tártaro) ao redor dos dentes. É um processo indolor e o único sinal é o sangramento durante a escovação. Instintivamente a pessoa deixa de escovar a região, piorando ainda mais a situação. Como conseqüência o dente perde sua inserção óssea e fica com mobilidade. Se não forem tomadas as medidas necessárias o dente será perdido. A escovação correta e contínua evita este tipo de problema.


2) Candidíase

É causada por fungos e aparecem como placas irregulares e que podem cobrir boa parte da boca. Temos percebido dificuldade por parte dos Dentistas em diagnosticar a Candidíase quando ela aparece sob a forma de placas ou atrofias eritematosas (vermelhas), sem ter o aspecto típico de “leite coalhado”, como a literatura clássica gosta de descrever. Nestes casos a pseudo-membrana esbranquiçada não se faz presente pelo fato de que ela foi removida pela báscula da prótese ou pela própria autóclise (auto-limpeza). Podem ser causadas pela baixa resistência do paciente, ou pela higiene deficiente das próteses, que deverão se muito bem escovadas. Nestes casos o fundamental é a boa higiene, e para alívio rápido da ardência ou dor deve-se realizar bochechos demorados com soluções contendo Nistatina. (Ex: Micostatin-solução). Bochechos com chá de Alho ou Casca do Ipê Roxo (pau-d’ Arco) também têm potente efeito Anti-Cândida. (não engolir)


3) Raízes Dentárias Expostas

As raízes expostas podem ser locais muito sensíveis ao frio e ao ácido principalmente. Poderá ser usado flúor na forma de bochecho diário a 0,05%, aplicação tópica com verniz fluoretado de boa qualidade ou ainda de flúor acidulado que usamos para crianças (que têm um baixo custo). Pastas especiais (Sensodyne) para tirar a sensibilidade podem também ser usadas.


4) Feridas ou Úlceras de longa duração

Podem ser causadas por dentes fraturados, dentaduras com bordas afiadas ou quebradas. O dentista deverá ser consultado e ele eliminará os agentes que estão traumatizando a boca dos pacientes, se forem responsáveis pelas feridas.

Especiais cuidados devem ser tomados visando evitar o aparecimento do Câncer de Boca. Traumatismos progressivos em pessoas que foram fumantes ou alcoólatras aumentam muito a chance de aparecer um Câncer de Boca.
5) Boca Seca

Geralmente é causada por certos medicamentos, como antihipertensivos, tranqüilizantes, etc. que podem inibir a secreção das glândulas salivares. Como conseqüências desagradáveis teremos dificuldades para mastigar e engolir, dentaduras que não apresentam retenção, etc. . No caso do paciente haver sido submetido a radioterapia de cabeça e pescoço ocorre em geral o comprometimento das glândulas salivares, que deixam de funcionar. Pacientes com pouca saliva têm propensão para apresentar cáries de colo dentário, que terminam em geral por “guilhotinar” o dente. Para prevenir este tipo de cárie recomenda-se o uso do flúor gel, na forma de escovação ou aplicação tópica. Saliva artificial ou gel medicamento é indicado quando o paciente apresentar queixas relativas à boca seca.


6) Escorrimento de Saliva

Pode ser conseqüência de algumas doenças (Parkinson), ou por dentaduras com dimensão vertical muito curta. Nestes casos o Dentista deverá ser consultado, para verificar a possibilidade de realizar um reembasamento (preenchimento) da prótese ou uma prótese nova.



CUIDADOS DENTÁRIOS QUE OS CUIDADORES DE IDOSO DEVERÃO SEGUIR
1) SER OBSERVADORES – Mudanças no comportamento ao comer, falar, sorrir, etc., poderão ser associados com problemas dentários.
2) PRESTAR ATENÇÃO – Aos comentários de parentes ou amigos, pois eles poderão observar mudanças que passariam desapercebidas.
3) LEMBRAR – Que cuidados com a boca e dentes é um assunto muito especial e que o CUIDADOR poderá orientar o paciente ou ajudar aquele que não é capaz de fazer as coisas por si mesmo.
4) SEMPRE – Procurar conselho do Dentista se tem alguma dificuldade para manejar o paciente.
5) SEMPRE – Comunicar aos responsáveis pela Saúde Bucal da Instituição sobre qualquer mudança observada.

CONDUTA A SEGUIR PELO CUIDADOR NA HIGIENIZAÇÃO DA BOCA, DENTES NATURAIS, DENTADURAS, ETC, DO IDOSO.



  1. Utilizar o momento em que o paciente esteja receptivo e relaxado.

  2. Estar certo que o paciente está numa posição confortável, que sua cabeça poderá ser facilmente segurada durante a higienização, de frente para a pia com espelho ou com uma bacia e espelho de mão.

  3. Usar sempre luvas.

  4. Procurar sempre a melhor posição, que poderá ser a de ficar por trás e um pouco de lado do paciente.

  5. Pequena quantidade de pasta é suficiente. Cada dente natural deverá ser escovado com cuidado com escova macia, junto com a gengiva, cuidando dos dentes frouxos e gengivas inflamada.

  6. Se o paciente conseguir, tentar que faça diversos bochechos com água e depois cuspa.

  7. Se isso for difícil, usar uma escova seca com um pouco de gel dental, deixar 1 ou 2 minutos nos dentes. Um enxágüe será suficiente, mas se isso for difícil também, tentar que o paciente só cuspa.

  8. Se a escovação for impossível, consultar sobre o uso de escova elétrica ou jatos de água.

  9. Dentaduras e pontes deverão ser retirada da boca antes de escovar os dentes naturais.




Foto 1 – Paciente auto-suficiente na frente de um espelho recebendo orientação sobre higiene bucal

CUIDADOS COM AS PRÓTESES (PONTES E DENTADURAS)


  1. Limpar as próteses diariamente com uma escova mais dura com pasta dental ou sabão neutro (sabão de coco). Antes da limpeza colocar água na pia em quantidade suficiente, e segurar a prótese bem próximo da água, assim, se ela cair, não quebrará.

Dentaduras totais bem executadas, bem polidas, sem poros no acrílico, e que sejam bem escovadas diariamente após cada refeição, dificilmente necessitaram de soluções especiais de limpeza para a sua conservação.

Se durante à noite o paciente manifestar vontade de dormir com as próteses, poderá fazê-lo, do contrário elas deverão ser escovadas criteriosamente e colocadas num recipiente plástico com água limpa e com tampa, (preferivelmente dentro da gaveta do criado mudo ou em lugar seguro para evitar quedas).



  1. Antes de recolocar as próteses na boca, escovar com escova macia a

Gengiva, palato e língua, removendo assim a placa e restos de alimentos da boca. Isto contribuirá para manter uma boa saúde bucal.

  1. Uma vez por mês, se a Instituição tiver aparelho de ultra-som, colocar as próteses nele para eliminar qualquer resíduo ou tártaro.

  2. Próteses perdidas ou trocadas – quando o paciente as retirar da boca, deverão ser imediatamente colocadas numa bacia com água, pois principalmente as removíveis e as inferiores são fáceis de perder no banheiro, nos sofás, camas, etc. para evitar trocas deverão ser marcadas com o nome do dono.

  3. Como escovar dentes naturais – A razão principal para evitar a escovação regular é a remoção da placa bacteriana, que se não for removida poderá causar cáries e doença periodontal (da gengiva), o que poderá levar a perda do dente. Às vezes, a escovação diária poderá tornar-se difícil porque o paciente acha cansativo e não quer fazer o esforço.

  4. Uso de Pós Fixadores – Em geral, se a prótese estiver bem executada, não necessitará de pós fixadores, salvo casos especiais. O problema com o uso dos pós é que eles endurecem e necessitam ser retirados e raspados para cada nova aplicação, o que pode requerer muito tempo e a ajuda de outra pessoa (o CUIDADOR neste caso).

Como pudemos perceber, é ideal que o idoso tenha uma escova macia e de cabeça pequena para os dentes naturais e outra mais dura e maior para as próteses.
ESCOVAR OS DENTES DOS OUTROS NÃO É TAREFA FÁCIL,
Mas os CUIDADORES deverão ser muito delicados e cuidadosos, e no começo deverão ser treinados e supervisionados pelo Dentista ou Higiene Dental.

Se os pacientes são manejados de maneira inadequada ou tratados como crianças incapacitadas, significará um retrocesso no intuito de ganhar sua confiança. O desejo do paciente de cooperar é essencial, mas isso requer, tempo, sensibilidade e habilidade.


A chave para o cuidado dentário depende de uma organização adequada, e para que isso se concretize é necessário que o CUIDADOR DE IDOSOS seja treinado e supervisionado pelo Serviço Dentário da Instituição.

Problemas deverão ser PREVENIDOS com técnicas, escovas e pastas dentais adequadas para garantir uma boa higiene da boca, gengivas, dentes naturais e próteses.





Foto 2 – Idoso colocando a pasta na escova.



Foto 3 – Escovação da prótese perto da bacia para evitar quedas.




Foto 4 – Idoso em frente ao espelho realizando escovação segundo as instruções recebidas.






Foto 5 – Profissional treinando o Cuidador a realizar a higiene bucal do idoso parcialmente dependente.






Foto 6 – Filha, que neste caso exerce a função de cuidadora da mãe, praticando o que lhe foi ensinado sobre escovação.



Foto 7 – Para higienizar idosos totalmente dependentes, procurar uma posição confortável, de tal forma que a cabeça fique segurada facilmente.










Fotos 8 e 9 – Prótese fraturada colada com “Cola comum” e sem adaptações dos fragmentos, causadora de lesões na mucosa. Observar o péssimo estado de higiene, favorecendo o aparecimento de candidose (fungos)

Foto 10 – Dentes fraturados com pontas causadores de feridas na língua e dentes com cáries e manchados pelo cigarro.



Foto 11 – Idoso com problema psicológico devido a incisivo com restauração defeituosa (falta de estética)



Foto 12 – Dente restaurado que devolveu ao idoso a alegria de poder sorrir.



Foto 13 – Sra de 79 anos com boa higiene bucal que conserva seus dentes naturais.







Foto 14 – Observar periodontite ao acúmulo de placa e cálculo.

Fotos 15 e 16 – Observar higiene deficiente em portador de prótese removível, que não sabia ser necessário a remoção da mesma para higienização adequada.








Fotos 17 e 18 – Dente com raiz eposta. Importância da conservação deste dente que serve do suporte para grampo de prótese parcial removível.

CONCLUSÕES
Os Cuidadores que assistem os pacientes deverão ser observadores e pacientes, trabalhar de preferência individualmente e simultaneamente com cada idoso e com o Serviço Dentário da Instituição, de tal forma que se realize um trabalho coordenado com ambos.

É preferível que o paciente seja capaz de escovar os dentes sozinho (a). Se isto não for possível por causa de uma doença como artrite severa, derrame, etc, poderá ser utilizada uma escova especialmente adaptada ou escova elétrica. O pessoal do Serviço Dentário aconselhará o melhor.

Se o CUIDADOR é solicitado para escovar os dentes do paciente, é vital ganhar a sua cooperação. A aproximação deverá ser cuidadosa, delicada, e nunca demonstrar repulsa pelo estado dos dentes ou dentaduras, tipo “Puxa quantos anos faz que o senhor não escova seus dentes”, ou “Isto aqui da para adivinhar o que comeu durante toda a semana”. Estes comentários só envergonhariam mais o idoso.

Se o paciente recusa ou há muita dificuldade para que o CUIDADOR realize a higiene sozinho, deverá aconselhar-se com o Dentista, pois este está mais acostumado a tratar com situações especiais. Isto é muito importante, pois uma vez que o tratamento adequado foi providenciando, e o paciente se sentir melhor, os cuidados de rotina e manutenção ficarão mais fáceis de ser executados.



PAPEL DA FAMÍLIA
Estes podem ser parentes, amigos ou qualquer pessoa que se interesse pelo bem estar do idoso. Quando se trata de cuidados dentários na velhice, em geral é tomada uma atitude conformista, mas os avanços da medicina com a saúde em geral também se aplicam para os problemas dentários.

Pacientes idosos não deverão ter medo do tratamento, e é nesse momento que os familiares são muito importantes, pois além de observar podem discutir a situação detalhadamente com o dentista, e poderão passar posteriormente para o paciente uma sensação de calma e segurança, explicando com suas próprias palavras como será o tratamento, e ficando perto dele durante o mesmo, colaborando assim com o dentista.

Os parentes, especialmente as esposas ou esposos podem querer ajudar na higiene dos dentes ou dentaduras se o paciente não é capaz de faze-lo, e deve ser dada a eles a oportunidade de ajudar, explicando os procedimentos que deverão seguir.

Um idoso gozando de boa saúde bucal resgata em grande parte a sua dignidade, já que é através da boca que se comunica com o mundo exterior pela falta e pelo sorriso.

Afinal, como já dizia o popular comunicador CHACRINHA: “Quem não se comunica se trumbica!!”.

‘A manutenção da Saúde Bucal do idoso depende basicamente de ações simples e econômicas, basta apenas realizá-las!!!


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:
DOLANT, R.A .Is Dental Education in step with current geriatric health promotion initiatives. J.Dent. Educ., v56, p.632-5,1992.

JITOMIRSKI, S.; JITOMIRSKI, F. Odontogeriatria: A Odontología do Futuro. DENS. Fase II, 2(1):4-9, jan/jul 87

JITOMIRSKI, S. JITOMIRSKI, F. Sorriso não tem idade. Informativo Maioridade. Progr. Estadual do Idosos, set. 96 p.4

KINA, S. et alli. O ensino da Estomatogeriatria no Brasil. Ver. Odontol. Univ. S.P., 10(II): 69-73, jan/mar 96

KINA, S.; BRENNER, A . Estomatogeriatria. Jornal da Sociedade Brasileira de Geriatria e Geriatria e Gerontologia /Seção Paraná. Nov. 1996 p. 4

PINTO, V.G. Saúde Bucal: Odontologia Social e Preventiva, 1994. Ed. Santos, 416 p.

RELATIVES ASSOCIATION. Dental care for older people in homes. 1995,22p.

TOMMASI. A Diagnóstico em Patologia Bucal. Artes Médicas. 1982,575 p.


EU PEÇO PERDÃO
Até que faltam, não sabemos

Quão importantes eles são,

E a saudade dói forte

Bem dentro do coração.
Sinto suas presenças queridas

No trabalho, nos passeios

Nos quartos, agora vazios

E em todos os meus anseios.
Mas os anos vão passando

E as gente vê, de repente

Que a velhice vem chegando,

Está aí, na nossa frente.
Sentimos na boca um gosto

Um pouco doce e amargo

De coisas feitas e não feitas

Que ficaram no passado.
Lágrimas fáceis nos olhos

Sensibilidade a flor da pele

O coração disparado

Tudo machuca e fere.
Peço perdão pois não soube

Valoriza seus conselhos

Pois o jovem sempre pensa

Quão pouco sabe o velho!!
Sara Jitomirski

“Importante este manual elaborado pelas Dr.ª Fanny e Sara Jitomirski não apenas para os cuidadores de idosos serem motivados nas questões de saúde oral, mas também os médicos. Nós examinamos a cavidade oral, e se soubermos o que a odontologia oferece aos idosos vamos motiva-lo a buscar ajuda”.



Maurílio Pinto


Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia
É extremamente excitante perceber que a semente da Política de Atenção ao Idoso germina com tanta qualidade. Dr.ª Sara e Dr.ª Fanny com muito competência vão levar subsídios importantes aqueles que diretamente vão estar com os idosos, tenho certeza que todas estas ações vão de encontro à felicidade do idosos e esta população agora com sorrisos e saúde bucal.

Nelson Guerchon


Coordenador da Política Estadual do Idoso

Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família / PR


“O Trabalho cuidadosos das odontólogas Dr.ª Fanny e Dr.ª Sara Jitomirski sobre a saúde bucal é um marco ao iniciar a planificação de ações preventivas na melhoria das condições da saúde oral do idosos. Em face das múltiplas doenças crônicas que o idoso pode apresentar, a educação odonto-gerontológica de uma forma prática e acessível acaba promovendo a melhoria da qualidade de vida na velhice”.

Gilmar Calixto


Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Paraná






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