1997 – Nas telecomunicações nada será igual



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1997 – Nas telecomunicações nada será igual
Miguel Leitman e Fernando Carvalho Rodrigues*
Janus 2004

São cerca de uma dúzia de grandes e pequenas empresas espalhadas à volta da Terra que num ambiente comparável ao da corrida ao ouro investem actualmente uma soma incrível de dinheiro, qualquer coisa como oito mil milhões de contos, para a construção e o lançamento de satélites de telecomunicações. Só na próxima década serão lançados cerca de 1700 desses satélites de órbita baixa, em comparação com os 150 satélites comerciais actualmente em órbita. As receitas que hoje já rondam os 1.500 milhões de contos irão triplicar até ao novo milénio. Para a indústria dos satélites trata-se do maior negócio de sempre, atraindo para além das empresas tradicionais (Loral Space & Communications Ltd., TRW, Hughes Electronics e Lokheed Martin) muitos dos grandes senhores das indústrias relacionadas, como por exemplo Bill Gates, Craig McCaw e Rupert Murdoch, bem como um representativo grupo de pequenos empreendedores.


Que tipo de serviço irão oferecer estas novas constelações de satélites de órbita baixa? A maior ênfase até agora foi dada ao serviço de telemóveis, comparável às actuais redes GSM que todos conhecemos, no entanto aplicado à escala global. Seguir-se-ão serviços de difusão de estações televisivas, transferência de dados e o acesso à Internet. A determinação torna-se visível pelo facto de depois de terem vendido as suas áreas de negócio militares, as grandes empresas do sector focarem agora as suas actividades exclusivamente para os pequenos satélites comerciais. A razão é simples. Enquanto o retorno esperado nos negócios militares é de 15%, nesta nova corrida as expectativas são muito maiores, esperando-se retornos na ordem dos 40%, o que, segundo Bernard L. Schwartz, administrador da Loral Space & Communications Ltd., é muito mais divertido.
Apesar dos satélites comerciais já terem sido utilizados há algumas décadas, só os avanços mais recentes nas tecnologias das baterias, das técnicas de compressão digital, bem como nas tecnologias de produção e de lançamento de pequenos satélites baixaram os custos dramaticamente, tornando a produção em massa dos satélites economicamente viável. Ao mesmo tempo, o gradual desaparecimento dos cartéis de telecomunicações apoiados pêlos governos tornou possível o aparecimento de novos mercados a uma taxa sem precedentes. Quem serão os vencedores desta corrida? Naturalmente aqueles que chegarem ao destino primeiro. Os jogadores já são conhecidos:
- O sistema Iridium, baseado em sessenta e seis satélites e apoiado pela Motorola e em dezassete instituições internacionais como a Taiwans Pacific Electric Wire & Cable Co.

- A constelação Globalstar projectada pela Loral Space & Communications Ltd. Um projecto de 400 milhões de contos baseado em quarenta e oito satélites.

- O sistema de Teledesic Corp. composto por oitocentos e quarenta satélites e financiado por Bill Gates e Craig McCaw.

- O sistema da ICO Global Communication, uma empresa spinn off do consórcio Inmarsat.

- A rede Odyssey, financiada pela Teleglobe Inc. canadiana e pela TRW.

- O sistema Spaceway da Hughes, um projecto de 640 milhões de contos composto por vinte satélites. Apesar da tecnologia do sistema ser uma componente importante para o sucesso de cada constelação e o que acabará por se repercutir nos preços das chamadas e dos telefones, serão a estratégia e o marketing que irão decidir sobre o vencedor.


Existe ainda outro perigo. À medida que o número de utilizadores de telefones móveis das redes terrestres continua a aumentar dramaticamente também em países como a China, a índia e o Brasil, as constelações de satélites vão perdendo a necessária massa crítica para iniciarem as suas operações, dado os custos de mudança serem demasiado elevados para um consumidor de uma rede terrestre para as redes baseadas nos satélites. Daí que o mercado alvo tenha que ser redefinido. Enquanto a Iridium aposta numa clientela baseada em homens de negócios que viajam pelo mundo fora, estando dispostos a pagar 500 contos por telefone e 500 escudos por minuto de chamada "global", a Teledesic focaliza-se nos utilizadores da Internet.
A Globalstar por sua vez apostou numa tecnologia de satélite mais tradicional e menos eficiente, no entanto compensada pelo apoio de uma infra-estrutura terrestre baseada em 100 estações, o que minimiza o risco e se traduz num preço por telefone de 120 contos e de 75 escudos por minuto de chamada de e para qualquer ponto do mundo. A sua estratégia concentra-se na complementarização das redes terrestres em áreas rurais onde ainda não existam infra-estruturas de telecomunicações. Além disso criou alianças estratégicas com companhias telefónicas, entre outras a France Telecom e a AirTouch Communications californiana, e com fabricantes de sistemas de telecomunicações que a médio prazo lhe reduzirão eventuais atrasos regulamentais e de licenciamento respectivamente.
No entanto, nas telecomunicações nada será igual. Apesar da enorme penetração dos satélites como meios de telecomunicações e difusão de canais televisivos, o maior mercado será o da interligação com a Internet. Com o acentuado crescimento na utilização da World Wide Web e a necessidade de enviar cada vez maiores pacotes de informação digital e vídeo através da net, a indústria de computadores está desesperada por encontrar o meio ideal para essa distribuição. Alguns anos atrás, as fibras ópticas eram consideradas a solução mais provável. No entanto, enquanto a ligação entre cidades com fibras ópticas tem sido levada adiante e a bom passo, a sua ligação às habitações domésticas tornou-se demasiado lenta. Uma oportunidade única para as constelações de satélites de órbita baixa serem usadas como redes de transferência de dados, como será o caso da Teledesic.
Com a tecnologia actual, essas redes são capazes de transferir dados com a mesma velocidade e qualidade que as fibras ópticas, mas a custos muito mais baixos que as redes terrestres. Com este tipo de serviço a ser iniciado pelos fins desta década, estima-se para o ano 2005 um mercado no valor de 1 600 milhões de contos. É nesse sentido que Hughes já está a desenvolver o sistema Spaceway, uma rede de vinte satélites de órbita baixa que formam túneis de informação espaciais, em que um computador pessoal, em qualquer parte do globo, poderá enviar dados e vídeo para qualquer endereço da Internet. O mesmo conceito é seguido pela Teledesic, no entanto a uma dimensão muito maior. Em vez de lançarem vinte satélites serão oitocentos e quarenta, o que por si já constitui um desafio logístico considerável. Cada satélite voará a uma altitude mais baixa que os satélites tradicionais e encaminhará serviço da Internet a uma escala global.
No futuro os consumidores poderão usar o mesmo dispositivo para se ligarem à Internet, trocar dados, manter vídeo-conferências e seguirem a final da Taça, tudo isso por um preço de equipamento abaixo dos 150 contos. Mas dado o investimento inicial total pela indústria de 8 000 milhões de contos, será que ainda alguém fará dinheiro? Será que todos os jogadores aqui mencionados se enganaram simultaneamente? Certo é que nas telecomunicações nada será igual. Especialmente quem apostar nas redes privativas de satélites da classe PoSAT. É que cerca de vinte desses satélites asseguram comunicações globais para a empresa ou entidade que os detiver com um investimento de 8 a 10 milhões de contos ao longo de vários anos.
Informação Complementar
Portugal e as infra-estruturas de telecomunicações
Nos últimos anos, Portugal tem conseguido recuperar atrasos e integrar-se no movimento de ponta do sector das telecomunicações. Devido à sua posição geoestratégica, tem beneficiado da amarração de cabos submarinos, permitindo-lhe a partilha dos meios técnicos com outros parceiros e a obtenção de custos de exploração mais baixos. Relativamente aos satélites, Portugal fez-se representar nos acordos de constituição da INTELSAT, INMARSAT e EUTELSAT, cooperativas internacionais para a exploração dos satélites de comunicações. Em 1996 investiu na ICO Global Communications, uma empresa constituída por 38 operadores europeus, asiáticos e latino-americanos, cria­da para dar suporte ao projecto de comunicações pes­soais por satélite lançado pela INMARSAT.
O investimento a fazer até ao ano 2000 rondará os 100 milhões de contos por ano, o que antecipará a liberalização to­tal do sector (1 de Janeiro de 2000) já iniciada com a Telecel e a Telechamada (capital americano da Telesis), a Con­tactel (capital minoritário da Telefónica Espanhola) e as em­presas de transmissão de dados Comnexo, ATS&T Portugal, France Telecom Redes e Serviços e a Sprint Portugal

* Miguel Leitman

Investigador Auxiliar do INETI.



* Fernando Carvalho Rodrigues

Investigador coordenador do INETI. Director da Faculdade de Ciências de Engenharia e Tecnologia da Universidade Independente.








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