1º simulado



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Redação

Profª Maria Aparecida
UNEP – 2009 - modificado

INSTRUÇÃO: Leia atentamente os fragmentos de textos apresentados a seguir.


1. Fragmento de livro de Isaac Asimov:
Todas as formas de vida diversas da humana só lidam com recursos renováveis. Determinados organismos podem morrer por falta temporária de alimento e água em determinado lugar, ou por causa de aberrações climáticas, ou por presença e atividade de predadores, ou meramente por causa da idade avançada. Toda uma espécie pode morrer devido a mudanças genéticas, à incapacidade de adaptar-se a alterações ambientais, ou à substituição por outra espécie com melhores possibilidades de sobrevivência.

Entretanto, a vida continua, pois a Terra segue sendo habitável, graças à eterna reciclagem de recursos renováveis.Somente o ser humano lida com recursos não-renováveis e, portanto, só ele corre o risco de estruturar um modo de vida cujos elementos essenciais podem faltar repentinamente. Essa falta pode representar tamanha desarticulação que é capaz de pôr fim à civilização humana. Aí, então, a Terra poderá ainda comportar a vida, mas não mais o avanço tecnológico.



(Isaac Asimov. Escolha a catástrofe.São Paulo: Círculo do Livro, 1979. p. 305.)
2. Fragmento de livro de Gilberto Dupas:
Cientistas renomados fazem-nos graves advertências sobre a maneira como estamos conduzindo nossos caminhos. Ao mesmo tempo, eles nos delegam responsabilidades brutais. O filósofo Daniel Dennett acha quase certo não sermos a espécie do planeta com maior chance de sobreviver. Perdemos para as baratas e as criaturas mais simples. Possuímos uma grande vantagem: a condição de olhar à frente e planejar. No entanto, apesar – e por causa – de todo o avanço tecnológico de que fomos capazes, caminhamos em direção a uma barreira de escassez, não de minérios ou energia, mas de água e alimentos. O sociobiologista Edward O. Wilson lembra que transformamo-nos na primeira espécie a se tornar uma força geofísica, capaz de alterar o clima da Terra; e que temos sido os maiores destruidores de vida desde o meteorito que caiu perto de Iucatã há 65 milhões de anos e encerrou o ciclo dos grandes répteis. Com a superpopulação e o atual estilo de desenvolvimento, corremos o risco de esgotar nossas reservas naturais – inclusive de água doce – e eliminar para sempre numerosas espécies vegetais e animais. Ele nos compara a uma família que dissipa irrefletidamente seu parco patrimônio e que depende cada vez mais de novos conhecimentos para se manter viva. De fato, se hipoteticamente retiramos a eletricidade de uma tribo de aborígenes australianos, quase nada acontecerá. Se o fizermos aos moradores da Califórnia, milhões morrerão.

[...]


É curioso como nossa maravilhosa capacidade de previsão tem evoluído menos que nosso arsenal destrutivo e nossas aspirações de consumo. O homem primitivo dava-se por satisfeito ao voltar para a caverna com algum alimento para sua família e por ter sobrevivido mais um dia. Hoje, tentamos planejar a longo prazo; mas é difícil avaliar as conseqüências de nossas ações para mais de duas gerações. É o caso da degradação do meio ambiente. Ao cortarmos uma árvore da floresta tropical, raramente assumimos que nossos bisnetos poderão encontrar lá um deserto. E, embora saibamos ter de preservar a velha Mãe Terra, o único lar capaz de sustentar a vida, continuamos a destruir seus frágeis ecossistemas naturais, envenenar as águas e poluir o ar com o uso irresponsável da tecnologia.

(Gilberto Dupas, Ética e poder na sociedade da informação.São Paulo: Editora UNESP 2000. p. 63-65.)
3. Fragmentos de um artigo de Moacir Gadotti:
A sensação de pertencimento ao universo não se inicia na idade adulta e nem por um ato de razão. Desde a infância, sentimo-nos ligados com algo que é muito maior do que nós. Desde crianças nos sentimos profundamente ligados ao universo e nos colocamos diante dele num misto de espanto e de respeito. E, durante toda a vida, buscamos respostas ao que somos, de onde viemos, para onde vamos, enfim, qual o sentido da nossa existência. É uma busca incessante e que jamais termina. A educação pode ter um papel nesse processo se colocar questões filosóficas fundamentais, mas também se souber trabalhar ao lado do conhecimento, essa nossa capacidade de nos encantar com o universo.Hoje, tomamos consciência de que o sentido das nossas vidas não está separado do sentido do próprio planeta. Diante da degradação das nossas vidas, no planeta chegamos a uma verdadeira encruzilhada entre um caminho Tecnozóico, que coloca toda a fé na capacidade da tecnologia de nos tirar da crise sem mudar nosso estilo de vida poluidor e consumista, e um caminho Ecozóico, fundado numa nova relação saudável com o planeta, reconhecendo que somos parte do mundo natural, vivendo em harmonia com o universo, caracterizado pelas atuais preocupações ecológicas. Temos que fazer escolhas. Elas definirão o futuro que teremos. Não me parece, realmente, que sejam caminhos totalmente opostos. Tecnologia e humanismo não se contrapõem. Mas, é claro, houve excessos no nosso estilo de vida poluidor e consumista e que não é fruto da técnica, mas do modelo econômico. Este é que tem que ser posto em causa. Esse é um dos papéis da educação sustentável ou ecológica.

[...]


Não aprendemos a amar a Terra lendo livros sobre isso, nem livros de ecologia integral. A experiência própria é o que conta.

Plantar e seguir o crescimento de uma árvore ou de uma plantinha, caminhando pelas ruas da cidade ou aventurando-se numa floresta, sentindo o cantar dos pássaros nas manhãs ensolaradas ou não, observando como o vento move as plantas, sentindo a areia quente de nossas praias, olhando para as estrelas numa noite escura. Há muitas formas de encantamento e de emoção frente às maravilhas que a natureza nos reserva. É claro, existe a poluição, a degradação ambiental, para nos lembrar de que podemos destruir essa maravilha e para formar nossa consciência ecológica e nos mover à ação.



(Moacir Gadotti. Pedagogia da terra e cultura de sustentabilidade.Revista lusófona de educação, 2005. Vol. 6, p. 19-20.)
PROPOSIÇÃO

“O homem é o câncer da Terra”, visão pessimista que poderia ser traduzida como: a civilização é o pior ou um dos piores males do planeta e conduzirá tudo para a destruição. Uma pessoa bastante otimista não concordaria com esse parecer e defenderia tese contrária: o homem é o maior dos bens que já surgiram neste planeta e conseguirá não apenas sobreviver, mas também preservar as outras formas de vida. Entre esses extremos de pessimismo e de otimismo podem surgir inúmeras outras interpretações sobre a presença e as ações dos seres humanos na Terra.



Releia os três fragmentos acima transcritos e, a seguir, manifeste sua própria opinião, fazendo uma redação em prosa, de gênero dissertativo, sobre o tema:

O HOMEM: INIMIGO DO PLANETA?




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