1 Jerônimo Teixeira Strehl2 Resumo



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A “CRISE MIGRATÓRIA”, O BREXIT E O SEPARATISMO SULISTA:

O ARCAÍSMO PELAS MÍDIAS1
Jerônimo Teixeira Strehl2

Resumo: Em tempo de notável instabilidade, em que desigualdades se apresentam mais definidas, não somente a grande mídia se ocupa de propagar esse momento, como também o fazem os espaços de diálogos das massas, especialmente notáveis no âmbito das redes-sociais digitais – e em ambas, parece não haver grandes preocupações com a verdade. Nelas se refletem o nítido aumento da polarização, lugar onde emergem campanhas ultranacionalistas e movimentos xenofóbicos, que acabam por se materializarem nas ruas, sob as mais variadas bandeiras. Dentre esses, este estudo se atém a “crise migratória”, o Brexit e o separatismo sul brasileiro, de modo a demonstrar que ambos estão interligados pelo mesmo denominador comum – tendo como cerne o pensamento arcaico.

Palavras-chave: Brexit; Migração; Separatismo; Arcaísmo; Pós-verdade.

Abstract: In a time of remarkable instability, in which inequalities are more clearly stated, not only the mass media are concerned with propagating this moment, but so are the spaces of dialogues of the masses, especially notable in the scope of digital social networks – in boths, there seems to be no major concerns about the truth. On them are reflected the clear increase of polarization, where ultranationalist campaigns and xenophobic movements emerge, which eventually materialize in the streets, under the most varied flags. Among these, this study tackles the "migratory crisis", Brexit and South Brazilian separatism, in order to demonstrate that both are interconnected by the same common denominator – the archaic thinking as its core.

Key-words: Brexit; Migration; Separatism; Archaism; Post truth.

Sendo a história cíclica, mudanças são uma constante, tanto que no imaginário popular os vocábulos prosperidade e crise se destacam alternadamente, refletindo uma dada situação social. No momento em que se dá a elaboração deste texto, o ciclo se encontra naquele entremeio de crescentes instabilidades e intensas mudanças.

Assim, após décadas de pujança, abateu-se uma sequência de crises de âmbito mundial, historicamente terreno fértil para o aumento das polarizações nos mais distintos posicionamentos. Questão documentada ao longo dos séculos, possui resultados amplamente mensuráveis após a Primeira Guerra Mundial, onde “uma onda antidemocrática e pró-ditatorial de movimentos totalitários e semitotalitários varreu a Europa: da Itália disseminaram-se movimentos fascistas para quase todos os países da Europa central e oriental” (ARENDT, 2012, p. 436-437)3.

Mas após todo o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, a contemporaneidade se estabelece como uma época no qual tanto a abrangência do acesso à educação4 quanto à informação alçaram patamares sem precedentes – assim, era de se esperar que diante de situação semelhante, posicionamentos e questionamentos ocorreriam por meio de olhares bem mais críticos e aguçados.

Mas não é o que se tem presenciado nos últimos anos, especialmente após a crise financeira de 2008, mas notavelmente perceptível em 2016, tanto no Brasil quanto internacionalmente. São pertencentes a este quadro acontecimentos como o Brexit, a “crise migratória” europeia, as eleições presidenciais do EUA e o plebiscito informal para o separatismo dos estados sulistas brasileiros.

Esta pesquisa defende que o denominador comum entre esses acontecimentos é justamente esse pensamento de ideologias arcaicas – notavelmente de cunho antidemocrático, xenofóbico ou racista, além de se valerem da narrativa da pós-verdade – tendo muitas de suas manifestações ocorridas com intensa presença nas denominadas redes-sociais.
Metodologia

Por se encontrar em andamento, este estudo não possui pretensões de se apresentar completo, mas sim de demonstrar um conceito, uma porta de entrada a uma pesquisa maior. Especificamente, este trabalho aborda os previamente citados acontecimentos do Brexit, a “crise migratória” europeia e o plebiscito informal do movimento separatista sulista brasileiro – exceto as eleições presidenciais estadunidenses, que apesar de citada em algumas passagens, na época da idealização do primeiro escopo desta pesquisa, não havia se realizado.

Seu desenvolvimento ocorre por meio de um estudo teórico-empírico de natureza qualitativa, elaborado por meio da obtenção de dados bibliográficos tanto por meios digitais (especialmente portais de notícia online e redes-sociais), como por livros e artigos.

Ao se entender que esses dados são e estão em mídias, acredita-se que os estudos da intermidialidade são um modo eficaz de estudar a experiência obtida – pois em cada reconfiguração, permeiam uma conexão com a realidade de forma mais ampla, sendo as mídias instrumentos fundamentais de observação da sociedade (GUMBRECHT, 1998).

Para Jost (apud MÜLLER, A., 2012) existem três possibilidades de pesquisas intermidiáticas: a relação entre as mídias, a relação entre as mídias de massa, e a migração das artes para as mídias de massa. No presente momento, ao menos as duas primeiras relações midiáticas se apresentam como possibilidades adequadas para esta pesquisa.
Arcaísmo

É imprescindível iniciar pelo que esta pesquisa considera o elemento aglutinador por trás de todos os acontecimentos aqui estudados: o pensamento arcaico.

Ao se valer inicialmente da definição presente no dicionário Houaiss de língua portuguesa, existem duas acepções possíveis para o termo. A primeira refere a algo “que pertence a ou evoca tempos remotos; antigo” (HOUAISS, 2009). Com isso, se apresenta uma característica chave de diversos discursos: o de referenciar uma anterioridade, revivendo ou restaurando estilos, formas e ideias que pertencem a um passado representativo de suas raízes (OUTHWAITE; BOTTOMORE, 1996).

A história da humanidade está repleta de movimentos ideológicos galgados nesses referenciais, todos auto-reconhecidos como detentores de virtuosidade – quando apresentado na forma de nacionalismo, essa evocação ocorre pela “combinação de valores conservadores, técnicas de democracia de massa e a inovadora ideologia de barbarismo irracionalista” (HOBSBAWM, 1995, pos. 2611).

Se em sua origem, o nacionalismo surge como a ideologia que salvaguarda os valores nacionais, trazidas pelo conceito de Estado-nação, especialmente difundido a partir do séc. XIX, ao fim desse mesmo século já se apresentava repleto de uma “xenofobia de massa, da qual o racismo — a proteção da cepa local pura contra a contaminação (...) — tornou-se a expressão comum” (HOBSBAWM, 1995, pos. 2619).

Quando esse arcaísmo nacionalista se transforma em fascismo, atinge-se outro patamar de propagação ideológica, influenciando movimentos galgados em “uma ressurreição violenta do mito, que exige a participação em uma comunidade definida por pseudovalores arcaicos: a raça, o sangue, o chefe. O fascismo é o arcaísmo tecnicamente equipado” (DEBORD, 2013, p. 75).

Para esses movimentos, a guerra se apresenta como elemento agregador. Tomando-se o nazifascismo, seu führer afirmava

ser a guerra "eterna", “cotidiana", “vida" — “um estado original" —, e toda sua concepção de política se apoiava sobre a necessidade histórica de assegurar ao povo alemão seu espaço vital. Como o espaço vital sempre fora conservado ou conquistado pela luta, não via outra alternativa senão fazer uso “defensivo" da guerra, que seria o “objetivo derradeiro da política”. (LENHARO, 2006, p. 75).

Mesmo após todo o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, esse pensamento voltado para a guerra se encontra mais presente e ativo do que se imaginava, pois em tempos de crise, ideologias populistas e nacionalistas afloram com força (PINSKY, 2013). Assim, movimentos semelhantes puderam ser vislumbrados após a crise financeira de 2008, e a cada dia que passa, parece se fortalecer ainda mais. É uma guerra contra o diferente, o que vem de fora, o que traz uma suposta impureza, ou contra qualquer minoria na qual se pode culpabilizar.

No ano de 2014 se mostrou notável o avanço da extrema direita na União Europeia, mais especificamente tendo pela primeira vez no Parlamento Europeu representações de partidos com formação fascista ou neonazista. São partidos que abertamente se definem como ultranacionalistas, racistas e xenófobos, contrários ao integrismo dos seus países à União Europeia.

Em se tratando do Brasil, do ano de 2014 para cá, uma movimentação semelhante pode ser notada durante o inflamado posicionamento dicotômico que resumiu a nação em “coxinhas ou petralhas”, na existência de diversas manifestações de uma massa unida pelo descontentamento, mas precária na coesão das ideologias presentes – nesse ponto, abrindo assustadoras brechas.

Com isso, deve-se voltar a segunda acepção possível apresentada pelo dicionário Houaiss: se referir a arcaico como “uma fase ou a fases anteriores ao período de estabilidade ou de maturidade de uma cultura, organização social, estilo artístico, língua etc. (HOUAISS, 2009). Com isso, é possível interpretar que a sociedade democrática ocidental, entendida como em sua plenitude – seja tecnológico, científica, sócio-cultural etc. – em verdade se apresenta ainda pueril.

Todos estes arcaísmos se apresentam contemporaneamente em discursos midiáticos embasados na retórica da pós-verdade.
A pós-verdade

De um termo periférico e pouco conhecido, a pós-verdade se popularizou em 2016 – em especial, devido tanto a campanha do Brexit quanto da eleição presidencial dos EUA, ambas marcadas pela disseminação de notícias falsas, notavelmente através das redes-sociais – a ponto de ser escolhida pelo Dicionário Oxford como a palavra do ano.

Seu prefixo pretende refletir exatamente o sentido de pertencer a uma época no qual o conceito de verdade foi superado por ter se tornado irrelevante – tanto que para o dicionário, esta seria uma das palavras que retratam o nosso tempo (OXFORD, 2016).

Por fim, o mesmo dicionário define a pós-verdade como sendo um adjetivo "relativo a ou que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e à crença pessoal" (OXFORD, 2016). Entende-se com isso que, tanto sentimentos quanto a imaginação social se sobrepõe aos fatos.

Mas o conceito por trás da pós-verdade não é um completo desconhecido. Possui respaldo na denominada “grande mentira”, retórica com origem incerta (dentre elas, modernamente creditada tanto a Lenin, Hitler ou Goebbels), mas de presença comum através dos tempos, como na máxima "uma mentira dita mil vezes se torna verdade” ou “basta repetir uma mentira para que ela se torne verdade", e em tantas outras variantes de semelhante sentido. Repetição é um dos mais simples e mais difundidos métodos de persuasão.

Na psicologia esse fenômeno é denominado como “ilusão da verdade”, ao observar o quanto uma repetição eleva a veracidade de afirmações – inclusive as notoriamente falsas, que acabam por ganhar maior credibilidade. Assim, a repetição proporciona que algo pareça mais verdadeiro, tornando-o mais representativo – em outras palavras, mais persuasível.

O pensamento de Nietzsche – após se conscientizar da relatividade do conhecimento humano, e do quão pretensa e arrogante é a busca por uma verdade – apresenta cabível explicação para o fenômeno da “ilusão da verdade”, e consequentemente para a pós-verdade: o autor afirma que “lutar por uma verdade é algo totalmente distinto de lutar pela verdade” (NIETZSCHE, 2007, p. 64) e que “lá onde a mentira parece agradável, ela é permitida: a beleza e a agradabilidade da mentira, desde que não cause danos” (NIETZSCHE, 2007, p. 63).

Nietzsche desvela uma característica demasiadamente humana: a de se preferir a verdade que mais lhe agrada – ou seja, uma ilusão da verdade. Isto fica mais perceptível ao se levar em consideração que verdades podem ser incômodas, enquanto que mentiras podem ser reconfortantes. Diariamente marketing e publicidade se valem dessa característica, mas que se torna incrivelmente perigosa quando transposta como ferramenta de retórica, especialmente nos discursos políticos – nesses casos, percebe-se que, quanto mais simplificado for um discurso, mais fácil é repeti-lo, e mais fácil ainda é que seja adotado pelas massas.

Ao se olhar para trás, um autor que percebeu de antemão a pós-verdade, especialmente nos moldes contemporâneos, foi George Orwell. Em sua célebre obra 1984, a expôs completamente, mas com o nome de duplipensamento:

E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido — se todos os registros contassem a mesma história —, a mentira tornava-se história e virava verdade. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora altera­do. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda. Muito simples. O indivíduo só precisava obter uma série interminável de vitórias sobre a própria memória. “Controle da realidade", era a designação adotada. Em Novafala: “duplipensamento”. (ORWELL, 2015, p. 47).

Se comparada com as narrativas apresentadas neste estudo, mesmo passados 70 anos de redigida a obra, ela parece se manter mais atual do que nunca:

Saber e não saber, estar consciente de mostrar-se cem por cento confiável ao contar mentiras construídas laboriosamente, defender ao mesmo tempo duas opiniões que se anulam uma à outra, sabendo que são contradi­tórias e acreditando nas duas; recorrer à lógica para questionar a lógica, repudiar a moralidade dizendo-se um moralista, acreditar que a democracia era impossível e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo o que fosse preciso esquecer, depois reinstalar o esquecido na memória no momento em que ele se mostrasse necessário, depois esquecer tudo de novo sem o menor problema: e, acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao processo em si. Esta a última sutileza: induzir conscientemente a incons­ciência e depois, mais uma vez, tornar-se inconsciente do ato de hipnose realizado pouco antes. Inclusive entender que o mundo em “duplipensamento” envolvia o uso do duplipensamento. (ORWELL, 2015, p. 48)

Mas se no passado, esse efeito se apresentava pela ausência e dificuldade de acesso a informações, hoje ela se dá justamente pelo oposto – o fácil, constante e imediato acesso a informações. Umberto Eco afirmou em entrevista que o “excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal” (GIRON, 2013). Além disso, o autor vislumbra o quão útil a internet pode ser ao instruído, mas também se preocupa no quão nociva ela o é ao ignorante.

Com isso, parece ser inegável a existência de uma certa atmosfera a insinuar que, uma parcela significativa das pessoas conectadas buscam por uma informação mastigada; e quando se encontrarem nas redes sociais, querem difundir sua verdade, não debater. Tomando-se um fragmento do discurso proferido por Umberto Eco à Universidade de Turim, “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis”. Esta é uma máxima de Eco que possui todas as características de ser dissociada de seu contexto original e ser reapresentada nos moldes da pós-verdade.

É nesse ponto que se deve manter o pensamento crítico a toda informação que se recebe, pois a ilusão da verdade não é inevitável, mas não basta apenas conhecimento para que ela se torna inócua (FAZIO; et al., 2015), também sendo importante a atenção que é dada à narrativa exposta.
Pede para entrar – a crise dos refugiados

Por uma conjuntura de fatores, a Europa pode ser considera como um bolsão de nações ricas e desenvolvidas, e que constantemente disputavam e guerreavam entre si. Se constituiu como palco dos mais variados fluxos migratórios – seja pela milenar imigração que acabou por moldá-la; seja pela emigração de seus habitantes, especialmente nos momentos de crise; ou pela imigração advinda de regiões em desenvolvimento ou subdesenvolvidas que a rodeia, variando em maior ou menor grau conforme o aumento das tensões dessas regiões.

Historicamente, desde a Segunda Guerra Mundial que o ocidente como um todo, não passava por grave crise interna, seja entendida pelo viés econômico quanto pelo social, tendo como catalisador o ano de 2008, com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, seguida pela bolha da dívida soberana na União Europeia. Seguindo o padrão previamente mencionado, essa instabilidade se torna terreno fértil para um arcaísmo proeminente, fortalecido devido ao aumento do fluxo migratório para a Europa, especialmente decorrente das guerras civis no norte da África e Oriente Médio, como os provocados a partir do movimento conhecido como Primavera Árabe, e que procuram se refugiar na União Europeia.

Apesar dessa instabilidade, a Europa se mantém como um continente de nações ricas, mas que enfrenta um outro problema: se encontra em pleno défice demográfico, constituído por um grande contingente populacional envelhecido e que não é considerada mão de obra ativa – portanto, se encontra carente de mão de obra. Para compensar essa diminuição da população ativa, o Parlamento Europeu estipulou que até 2050 seria preciso receber cerca de 56 milhões de imigrantes externos a União Europeia (EP, 2008). Se considerado que esses dados eram de 2008, seriam 42 anos de imigração constante, a uma taxa de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas anualmente.

Apesar de incessante, até o momento o ápice do fluxo migratório de refugiados ocorreu em 2015, com aproximadamente 1 milhão de pessoas tentando adentrar as nações membros da União Europeia (UNHCR, 2017). Para comparação, o Líbano, país aproximadamente cem vezes menor que a União Europeia, sozinho acolheu esse número de sírios, além de refugiados palestinos e iraquianos, em uma proporção aproximada de 25% de sua população nativa – o Líbano sim, se encontra em uma situação delicada (CIA, 2017).

Então por que a Europa denomina de “crise migratória” esse fluxo, em vez de crise dos refugiados ou crise humanitária? A ideologia por trás dessa mudança de viés, que inverte a posição de vítima e desumaniza a grave situação que esses refugiados passam, é a mesma que defende a supremacia de um grupo, seja econômico, religioso, de gênero, de raça, de etnias ou de orientação sexual em detrimento de outros, e que possui no decorrer de toda a história europeia o antissemitismo como mais forte precedente (PINSKY, 2013; LLOSA, 2013). É o pensamento arcaico expresso nos moldes da pós-verdade. E é por isso que neste estudo, a expressão “crise migratória” sempre está apresentada entre aspas.

Assim, o antissemitismo se apresenta como a origem da islamofobia atual. Para melhor entendimento, neste contexto, o antissemitismo deve ser entendido em seu sentido lato – envolvendo os povos do ramo da família de línguas que se estende do noroeste da África até o sudoeste da Ásia, compreendendo tanto judeus quanto a totalidade dos povos islâmicos da região. Para uma melhor compreensão do quanto o antissemitismo não se referia apenas aos judeus, basta se ater a figura do “muçulmano” nos campos de extermínio nazistas:

os traços de racismo antiárabe nessa designação são mais que evidentes: a designação "muçulmano" surgiu porque os prisioneiros identificaram o comportamento dos “mortos-vivos” como algo próximo da imagem ocidental padrão do "muçulmano", uma pessoa totalmente conformada com seu destino, que suporta passivamente todas as calamidades como se fossem fundamentadas na vontade de Deus. Hoje, no entanto, em virtude do conflito entre árabes e israelenses, essa designação recuperou sua efetividade: o “muçulmano" é o núcleo ex-timo, o nível zero, do próprio judeu. (ZIZEK, 2013, p. 57).

Exemplificando: Leve-se em conta que, após a conversão de Roma para o cristianismo, gradativamente o continente foi se convertendo para a mesma religião. E no conturbado porvir de todos os reinos e nações europeias, o único denominador comum que se mantinha era a doutrina cristã. Ao se aumentar as fronteiras europeias, expandia-se o cristianismo; quando porventura diminuíam, retraía o cristianismo, pois o que vinha de fora sempre possuía outra religião. Assim:

no comum entendimento do pensamento europeu e prontamente mimetizado na américa, primariamente se possui um elo com a terra do qual se era nativo, e por meio dela ser cristão. Assim, se era inglês e cristão, italiano e cristão, alemão e cristão etc. Já no entendimento judeu essa questão se inverte, primeiramente possuindo elo com seu deus e religião, para depois pertencer a alguma nacionalidade – resultante da busca por uma terra prometida e constantemente negada. Assim, se era judeu e inglês, judeu e italiano, judeu e alemão etc. Isso permitiu ver (e ainda vê) os semitas como um corpo estranho (externo), que não compartilham a mesma noção de fronteiras físicas e espirituais, mas que crescem em seu recôndito e se espalham. (STREHL, 2016).

É preciso entender que nesse pressuposto, o outro não somente é visto como diferente, mas também como desigual, o que acarreta um processo de desumanização. Quanto mais fácil se consegue retirar a humanidade do outro, mais fácil é o caminho para ignorar suas necessidades, segregá-lo e até mesmo subjugá-lo. No pensamento arcaico, se enquadram não somente imigrantes legais, refugiados devidamente asilados, mas até mesmos nativos – se for enquadrado como pertencente a alguma minoria racial, étnica, religiosa ou cultural.

A desumanização parece diminuir somente quando os noticiários e as redes sociais são dominados por fotos de crianças imersas nesse grande infortúnio, na tentativa de fugir de guerras que, desconhecido ou ignorado pela maioria, foram incitadas pelo próprio ocidente. Mas em verdade, acabam por se prestarem muito mais como um macabro entretenimento do que a qualquer outra coisa.
Pede pra sair – o Brexit

Passados 43 anos de sua inclusão na União Europeia, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, em junho de 2016 levou à votação do seu eleitorado um plebiscito, perguntando se deveriam permanecer ou sair da União Europeia.

O plebiscito foi um projeto proposto pelo UKIP (United Kingdom Independence Party, ou Partido pela Independência do Reino Unido), o partido de oposição que mais se fortalecia no parlamento inglês – de viés nacionalista e anti-europeu. Sua proposição fora decorrente da pressão política crescente, acabando por virar promessa na campanha para reeleição de David Cameron como primeiro ministro.

A campanha se realizou por meio de duas frentes: a do Bremain – termo formado pela junção das palavras Britain (Grã-Bretanha) e remain (permanecer) – trocadilho dado para denominar a campanha que apoiava a permanência; e a do Brexit – formado pelas palavras Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída) – para denominar a campanha que apoiava a saída. Este último trocadilho acabou por obter uma popularidade muito superior ao outro, tanto que acabou por denominar o movimento como um todo.

Dentre os diversos erros cometidos pela campanha de permanência na União Europeia, encabeçada pelo primeiro ministro David Cameron, parece que se ignorou o reflexo de um comportamento histórico das Ilhas Britânicas em relação ao continente: os britânicos nunca se sentiram propriamente pertencentes à Europa, se entendendo muito mais como um mundo à parte. Tanto que a integração do Reino Unido à União Europeia nunca se deu em todos os seus níveis: não compartilhavam o espaço Schengen, não adotaram o Euro como sua moeda, dentre tantas outras questões políticas e de mercado.

Por desacreditar nessa possibilidade, também é plausível assumir que, para David Cameron, o plebiscito seria uma forma de brecar o fortalecimento crescente do partido UKIP, tanto que sua campanha pela permanência se focou na do Brexit, ignorando o fato que ela deveria se focar, isso sim, nos eleitores. E justamente esse foi o acerto da campanha que se tornou vencedora.

O Brexit foi embasado totalmente na pós-verdade, defendido sobre uma campanha de argumentos fundamentada no populismo, se valendo fortemente do medo, frases simples e impactantes, bem como muita repetição – tudo fundamentado em forte retórica galgada em promessas vazias, mas totalmente voltada aos anseios de uma grande parcela da população

Sendo o plebiscito com o maior número de votantes desde 1992, dentre outros fatores, a saída foi a opção entre a maioria com baixo índice de escolaridade e qualificação, bem como por pessoas com idade superior a 45 anos – mas tampouco a maioria dos jovens votou (YOUGOV, 2016). Entretanto, o maior fator a favor da saída, se resume à falta de conhecimento.

Nos dias seguintes ao resultado, a maioria das buscas locais se referiam a questões como “o que é a União Europeia” ou “o que é o Brexit” (SELYUKH, 2016), apresentando uma surpreendente alienação por parte do público envolvido. Como resultante imediato, há um misto de arrependimento entre alguns dos 17 milhões que votaram pela saída – inclusive por várias das promessas de campanha terem se apresentado como falaciosas, tão logo a saída do bloco se mostrou vencedora.

Inclusive, de um modo totalmente inusitado para um lado vencedor, os líderes que fizeram a campanha pela saída não tiraram proveito da vitória. Em verdade, Nigel Farage, presidente do UKIP e Boris Johnson, ex-prefeito conservador de Londres, desapareceram por alguns dias, como se transparecessem uma vergonha ou uma tentativa fugaz de evitar qualquer responsabilidade. E quando o fizeram, vieram a público para se retratar.

No dia seguinte ao plebiscito, o primeiro ministro David Cameron pediu a inesperada renúncia de seu cargo. A ironia é que, apesar de sua derrota frente as urnas, seu objetivo original de enfraquecer o partido de oposição acabou por se realizar indiretamente, pois a vitória acabou por se tornar a derrocada do UKIP.

Agora a questão mais preocupante de todas, ocorrida já nos dias seguintes ao anúncio do lado vitorioso do plebiscito: a repercussão com força pelas redes sociais de incidentes relacionados a hostilização e xenofobia, especialmente destinado aos grupos descritos como BAME5, inclusive para aqueles com prerrogativas de estarem no Reino Unido, desde nativos descendentes de imigrantes, ou imigrantes advindos de países do antigo Império Britânico (NAGESH, 2016).

Diversas manifestações pedindo a saída imediata de imigrantes foram vislumbradas pelo país, com frases como “stop immigration, start repatriation” (pare a imigração, comece a repatriação) ou “refugees NOT welcome” (refugiados NÃO bem-vindos) (BBC, 2016). Com isso, os dados sobre o público que votou a favor da saída parecem confirmar as palavras de Hobsbawm: “Desde a década de 1960, a xenofobia e o racismo político ocidentais se encontram sobretudo entre as camadas de trabalhadores braçais” (HOBSBAWM, 1995, pos. 2671).

Assim, o Brexit se apresenta como um exemplo mais do que assertivo para se observar o que esta pesquisa apresenta como arcaísmo e pós-verdade.
Pede para separar – o movimento separatista sulista

Em se tratando do Brasil, uma movimentação semelhante em direção ao crescimento desse pensamento arcaico pode ser notada, com especial força a partir do ano de 2014, após a instauração da crise político-financeira brasileira. A inflamado dicotomia que se seguiu, resumindo a nação em dois grandes grupos rivais: os previamente citados “coxinhas e petralhas”, que acabaram por proporcionar diversas manifestações pelo país.

O que se apresentaria como positivo, uma demonstração de maturidade cívica, se torna preocupante quando se percebe que a massa, apesar de unida pelo descontentamento, se apresenta como uma colcha de retalhos no que tange a ideologias – nesse ponto, abrindo assustadoras brechas para aqueles que pedem a volta da ditadura militar; daqueles que querem a normalização do como é constituída a família brasileira; do desrespeito aos praticantes das diversas religiões constituídas; ou de uma ojeriza contra uma onda migratória. Isto reafirmaria o posicionamento de que, apesar de haver uma relação causal entre educação e democratização, o aumento da educação não produz necessariamente resultados democráticos (ROSER; ORTIZ-OSPINA, 2016).

É a partir desse mesmo pensamento que se fundamenta o movimento “O Sul é Meu País”, sobre a égide da “autodeterminação do povo sulino”, e que prega a separação dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do restante da federação brasileira, por meio de um plebiscito, levando a construção de uma nova nação soberana (SULLIVRE, 2016).

Apesar de se apresentar nos moldes contemporâneos da gestão de marca, possuindo identidade visual característica, e se valendo de uma estrutura organizada com forte presença virtual do movimento – por meio do sítio, contas em redes sociais e por meio de uma plataforma virtual preparada para a votação do plebiscito informal – ainda assim seu conteúdo é recheado de arcaísmo.

No sítio oficial do movimento é que o nacionalismo se apresenta com toda a sua retórica populista, se valendo das técnicas apresentadas na pós-verdade, por meio de artigos com títulos tais como “os passos da libertação sul-brasileira” e “a crise de representatividade e o sul-brasileiro”, bem como em sua carta de princípios, recheada de tópicos descritivos dos fatores que motivariam essa separação.

Com argumentos que vão do “descaso com que o Sul tem sido distinguido permanentemente, relegado sempre a um segundo plano”, passando pela “sangria tributária da região Sul, sempre submetida à má distribuição do bolo tributário, que privilegia regiões, discriminando outras”, chegando a “por fatores semelhantes aos atuais, nossos ancestrais já empunharam a bandeira da Independência e da Autonomia” e a “somos um povo que tem seu passado escrito com o sangue e o trabalho de nossos ancestrais” (SULLIVRE, 2016).

Mesmo que bem-intencionados, todas as suas reivindicações se baseiam em um olhar míope, extremamente fechado às questões exteriores – ignorando os problemas e necessidades das outras regiões – se apresentando como defensor de um antiquado sistema de privilégios. E sendo a região que apresenta o maior número de imigrantes europeus, é preciso averiguar com cuidado o quanto esse movimento não apresenta fundamentos xenófobos.

Interessante notar que, ao noticiar de forma especulativa o resultado do plebiscito, com a tendenciosa chamada “Em plebiscito informal, 95% votam pela separação da região Sul” (SPERB, 2016), o jornal Folha de São Paulo proporciona um desserviço em uma época de ânimos acirrados – a região sul possui aproximadamente 20mi de habitantes, sendo que destes, pouco mais de 617mil votaram, dos quais 95% foram a favor, algo em torno de 0,3% da população sulista.
Justificativa

Essa pesquisa se justifica pela pertinência e o acompanhar dos acontecimentos recentes entre as mídias, que mesmo distintos em forma, possuem em seu cerne o mesmo pensamento arcaico, que forjaram os movimentos fascistas do início do século XX, que culminaram com a segunda grande guerra, e com o extermínio de milhões de civis desumanizados.

Se os movimentos nacionalistas europeus compartilham o mesmo ideário arcaico – uma Europa pura e ordenada, com a volta do nacionalismo e populismo; recuperada a soberania monetária, não necessita mais de moeda única; fecha-se as fronteiras e expulsa-se os estrangeiros, que corrompem a pureza das nações; e acabem-se com os partidos tradicionais, instrumentos dos interesses financeiros e econômicos –, nesse quesito Europa, Estado Islâmico, EUA e o separatismo brasileiro também se apresentam mais semelhantes que distintos. E historicamente, se apresentando como forma de governo, a guerra vira elemento agregador: guerra ao terror, guerra aos imigrantes, aos outros...

a intensidade do nacionalismo, do racismo, da glorificação da violência e do militarismo, evidentes durante a Guerra do Golfo, foi reação ao aumento da pobreza e da insegurança, algo semelhante à situação da Alemanha nazista [...]. As demonstrações favoráveis à guerra pareciam oferecer mecanismos por meio dos quais as pessoas podiam fugir à impotência e superar (temporariamente) a insegurança. (Boggs apud KELLNER, 2001, p. 282).

O arcaísmo desvia a atenção das desigualdades econômicas para dirigi-la às desigualdades de identidade, culturais, religiosas. Para Piketty:

se não houver nenhuma resposta capaz de deter essas desigualdades, a resposta mais fácil são a xenofobia e o nacionalismo. É assim que aparecem dirigentes políticos como Donald Trump, Boris Johnson ou Marine Le Pen. São pessoas bastante privilegiadas financeira e socialmente cuja única estratégia consiste em dizer às classes populares brancas que seus inimigos são as classes populares mexicanas, negras. (YÁRNOZ, 2016)

Portanto, esses movimentos devem ser acompanhados e estudados, inclusive de modo a desmistificá-los6. Mas especialmente, este estudo não pretende explicar o inexplicável.

O que se acredita é que, quanto maior for a abertura da população à diversidade, maior é sua identidade “cosmopolita” e menor seu nacionalismo, sua xenofobia, homofobia, enfim, ao que lhe é diferente.

E é preciso muita atenção a quantidade de informação que circula, mas especialmente, ficar atento para não cair no jogo de narrativas ideológicas construídas por argumentos galgados nas técnicas da pós-verdade.
Referências bibliográficas

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1 Artigo apresentado ao Eixo Temático 12 – Violência política e social / Violência simbólica / Racismo / Xenofobia / Exclusão do IX Simpósio Nacional da ABCiber.

2 Pesquisador é Mestre em Comunicação e Cultura Midiática (UNIP) e participa do Grupo de Pesquisa “Moda, Comunicação e Cultura” certificado pelo CNPq, na linha de pesquisa “Meios, Mídias e Intermidialidades” (UNIP). E-mail: je2design@outlook.com

3 É importante esclarecer que, pela variedade bibliográfica, optou-se por conduzir sempre que possível, as citações em seu original – com grifos, erros e diferenças de ortografia – reproduzidos fielmente, sem a necessidade de se utilizar sic, proporcionando maior fluidez na leitura. Outro fator a observar, é o uso de livros eletrônicos (e-books), os quais possuem marcações feitas por posicionamento e não por página – por indefinição da ABNT, optou-se por usar “pos.”, ex.: (fulano, ano, pos. 0001).

4 O fenômeno da expansão da educação começou no séc. XIX, nos países de industrialização clássica, tomando abrangência global após a Segunda Guerra Mundial (ROSER; ORTIZ-OSPINA, 2016)

5 A sigla BAME é formada pela união das palavras black [negros], Asian [asiáticos] e Minority Ethnic [minoria étnica], se constitui em um termo utilizado no Reino Unido para descrever pessoas consideradas não-brancas.

6 Como no caso do separatismo sulista, que costumeiramente é apresentado pela grande mídia como se fosse um objetivo em uníssono, ignorando ou não dando o mesmo espaço a existência de outros movimentos de igual ideologia espalhado pelo país, como os exemplos do estado de São Paulo (Movimento São Paulo Independente e Movimento São Paulo Livre) ou da região nordeste (Movimento Nordeste Independente).





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