1 a s novidades do documento de aparecida (III)



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Encontro16.07.2019
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APARECIDA – Colección de artículos sobre la Conferencia de Aparecida1


A

S NOVIDADES DO


DOCUMENTO DE APARECIDA (III)

Agenor Brighenti
Aparecida, além de reafirmar o Concílio Vaticano II e ter resgatado a tradição latino-americana, também traz novidades. Já vimos cinco delas. Vejamos outras três.

Em busca da vida, muitos deixam a Igreja

Em Aparecida, a Igreja rompe com toda postura apologética ou proselitista frente aos movimentos religiosos autônomos. Afirma que, os que vão para as seitas, não estão querendo sair da Igreja, mas estão buscando sinceramente a Deus (DA 225). Para o Documento, os motivos não são doutrinais, mas vivenciais; não são dogmáticos, mas pastorais; não são teológicos, mas metodológicos de nossa Igreja (DA 225). Consequentemente, a solução não consiste em disputa do mercado, pois “a Igreja não cresce por proselitismo, mas pela atração da força do amor” (DA 159). E constata, “onde se estabelece o diálogo, diminui o proselitismo” (DA 233). Por isso, é preciso reforçar a Igreja católica em quatro eixos: uma experiência religiosa pessoal, a vivência comunitária, a formação bíblico-doutrinal e o compromisso missionário de toda a comunidade (DA 226).

Em outras palavras, com relação ao êxodo de católicos, sobretudo para o pentecostalismo evangélico, Aparecida, em lugar de assumir uma postura apologética, faz um grande gesto de humildade, reconhecendo sua parcela de responsabilidade. Reconhece, ainda que indiretamente, que a Igreja, como afirmou o Vaticano II, é santa, mas também é pecadora, como instituição, e não apenas determinados “filhos da Igreja”.

A eficácia da evangelização, hoje, passa pelo protagonismo da mulher

O Documento de Santo Domingo havia proclamado o “protagonismo dos leigos” na evangelização. Aparecida proclama o protagonismo da mulher. Entretanto, constata o Documento, que “tradicionalmente uma porcentagem significativa de homens na América Latina se mantiveram à margem da Igreja”e que, isso, “questiona fortemente o estilo de nossa pastoral convencional” (DA 461). Consequentemente, cabe “favorecer a participação ativa dos homens na vida da Igreja” (DA 463), mas, entre as ações pastorais urge “impulsionar uma organização pastoral que promova o protagonismo das mulheres”, garantindo “ a afetiva presença da mulher nos ministérios que a Igreja confia aos leigos, bem como nas esferas de planejamento e decisão” (DA 458b).

Lembra Aparecida, que inumeráveis mulheres, de toda condição social, não são valorizadas em sua dignidade e heróica generosidade no cuidado e educação dos filhos, nem na construção de uma vida social mais humana e na edificação da Igreja. É necessário, na América Latina, superar uma mentalidade machista, que ignora a novidade do cristianismo, que reconhece e proclama a “igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem” (DA 453). Urge que todas as mulheres possam participar plenamente da vida eclesial, familiar, cultural, social e econômica, criando espaços e estruturas que favoreçam sua inclusão (DA 454). Além das ações pastorais mencionadas, cabe também acompanhar as associações femininas que lutam para superar situações difíceis, bem como apoiar programas, leis e políticas públicas que permitam harmonizar a vida laboral da mulher com seus deveres de mãe de família (DA 458).

Os mártires das causas sociais, nossos santos ainda não canonizados

Constata o Documento que a Igreja, apesar de suas deficiências e ambigüidades, tem exercido um serviço, particularmente aos mais pobres, no esforço de promover sua dignidade. Por isso, em muitas ocasiões, tem sido reconhecida socialmente como uma instância de confiança e credibilidade. Seu empenho em favor dos pobres, em muitos casos, redundou em perseguição e morte de muitos, que consideramos testemunhas da fé. São nossos santos e santas, ainda não canonizados (DA 98).

Ora, os santos são, ao mesmo tempo, de seu tempo e não de seu tempo. De seu tempo porque é nas circunstâncias da vida que se vai plasmando formas de testemunho cristão. E, ao mesmo tempo, não são de seu tempo, porque põem em evidência uma faceta da fé cristã, até então não explicitada, mas que é para sempre, pois se radica na essência da mensagem evangélica.

Assim, os mártires latino-americanos, além de terem dado a vida como muitos cristãos têm feito no peregrinar da Igreja, eles põem em evidência um novo modelo de santidade. Trata-se de cristãos que testemunharam sua fé, para além do espaço intra-eclesial ou intra-religioso, no seio da sociedade civil. São pessoas que testemunharam a fé cristã na esfera da autonomia do político, para além de todo confessionalismo. Profetas, elas deram a vida para que outros tivessem mais vida, especialmente os mais pobres, e indiretamente até uma floresta ou um rio, apontando para as causas de um pecado social ou de uma injustiça estrutural. Morreram não defendendo diretamente a Igreja, mas a radicalidade e a integralidade da fé cristã, que implica cuidado, defesa e promoção da vida de todo o gênero humano e da obra da Criação. Nenhum deles foi ainda declarado santo pela Igreja, entretanto, Aparecida traz uma novidade, convida a alimentar-se de seu testemunho e os denomina como nossos santos ainda não canonizados. Já os canonizou.





1 Publicados en Jornal O Lutador.






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